|
|
|
editorial |
especial | debate
| imprensa
em foco
mídia eletrônica |
links | perfil |
nostalgia
olho
vivo | canal do leitor
| e-mail |
expediente
anteriores | próximas edições |
inicial
Jornalismo
provinciano
Elmer Guzman
Numa época em que a globalização é expressiva, o jornal, paradoxalmente, volta sua atenção para o jornalismo regional. Via de regra, o
ranking de hábito de leitura é liderado pelo noticiário local, seguido pelo noticiário nacional e pelas informações de entretenimento, segundo dados do instituto de pesquisa
Ipsos-Marplan. Em todas as classes socioeconômicas os assuntos locais são os que mais despertam o interesse dos leitores. Portanto, aquele "jornal de garagem" com as notícias do vilarejo local possui a mesma responsabilidade de informar que qualquer grande jornal de circulação nacional possua.
No interior de São Paulo, isto não é diferente. A Rede Anhangüera de Comunicação (RAC) controla os dois jornais de maior expressão em Campinas e região, o
Correio Popular e Diário do Povo. De acordo com Marcelo Pereira, editor-executivo do
Correio Popular, "os jornais da RAC abocanham aproximadamente 84% dos leitores de Campinas. O restante é dividido entre os jornalões". De acordo com ele, o jornalismo regional navega em águas tranqüilas, porque enquanto os grandes jornais cobrem o geral, o regional investe no específico.
Mídia do coronéis
Ao ser abordado sobre o fracasso de muitos jornais no interior, Marcelo afirmou que "esse é o preço que se paga pelo modelo ainda não profissional, pelo modelo coronelista de se fazer política no interior. A gente sabe que em alguns lugares o prefeito manda e desmanda, o vereador é mais importante do que cidadão comum".
Essa desigualdade entre grandes e pequenos jornais abre margem para que a parcialidade inunde as pequenas publicações do interior. Por exemplo, um semanário de pequena circulação custa em torno de quatro mil reais por edição. Neste veículos, a entrada de receita publicitária é pequena. Com isso, qualquer processo de algum poderoso que se sinta ameaçado pode fechar o jornal. Ou seja, não há liberdade para que toda verdade seja publicada. Em muitas cidades pequenas, os proprietários do jornal são os próprios líderes políticos da cidade, como é o caso da
Folha da Semana de Artur Nogueira. A vice-prefeita comanda a publicação indiretamente.
Esse amálgama entre a política e o quarto poder é perfeito para a alienação do jornalismo em um mundo de meias verdades. Para Pereira, estes casos ficam dimensionados à região, e por isso morrem ali. "Falta a politização dos jornalistas ou dos empresários que retêm o poder, para que dêem dimensão e, assim, possam brigar por seus interesses, recorrendo a esferas maiores para que possam defender as suas causas", completa.
Para Amauri da Rocha, editor-chefe do Grupo Regional de Comunicação de Jaguariúna, "o jornal jamais deve ser parcial. Manter um bom relacionamento não significa expressar somente a opinião de quem está no poder. A imparcialidade deve permear as relações entre os veículos de comunicação e os envolvidos nas reportagens, que devem ser devidamente ouvidos, sejam eles do poder público ou privado".
Falar é fácil. Difícil é estar na pele dos focas que assumem precocemente as redações do interior e sofrem terríveis pressões dos poderosos. Jornalistas juvenis na chefia, por mais brilhantes que sejam, significam um jornalismo imaturo e longe do ideal.
criação: lisandro staut |
|