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Pequenos jornais, grandes responsabilidades
Thiago Melo
As regiões que contam com jornais dedicados a trabalhar em prol da comunidade e com o objetivo de divulgar as notícias locais têm um forte aliado ao crescimento. Também a comunicação entre a população e os órgãos governamentais podem ser mediados pelo chamado jornalismo regional. Esse tipo de jornalismo na maioria dos casos é responsável pelo aperfeiçoamento das relações entre a própria mídia com a população, com o poder público e com o mundo empresarial.
Mas na realidade o que viria ser o jornalismo regional? Esta pergunta não poderia ser respondida caso fosse igualado os jornais de grande porte com outros de menor expressão. É preciso criar uma distinção. Existem os jornais de prestígio nacional, que são os grandes jornais com
O Estado de S. Paulo e Folha De S. Paulo, e existem aqueles que possuem prestígio regional. No qual as notícias não são de relevância para outros estados ou mesmo outras regiões. No entanto não deixam de ser menos importantes, pelo simples fato de suprirem as expectativas e necessidades sentidas pela região.
A região de Campinas é uma das mais ricas e promissoras do País. É integrada por 19 municípios e habitada por 2,5 milhões de habitantes.O PIB da cidade é de 25 bilhões de dólares ao ano. Possui ainda cerca de 7.030 indústrias, 15.710 estabelecimentos comerciais e outros 15 mil de serviços, segundo dados do IBGE. Os investimentos previstos para a região no período de 1999 a 2005 são de 8 bilhões de dólares.
Tais números impressionam e tendem a transformar Campinas numa região em constante desenvolvimento, tanto industrial quanto econômico. É ai que o jornalismo regional ganha forças e se faz necessário. É preciso que os próprios jornalistas estejam conscientes do papel que têm a desempenhar. Facilitar a comunicação e a compreensão da população com as mudanças que estão a ocorrer e a diferença que elas podem exercer em sua vida diária.
Um exemplo é a revista Muito+ - A revista da região metropolitana de Campinas, Lançada por José Aparecido Miguel, profissional da área de jornalismo e com passagens nas redações, quanto na área de assessoria de imprensa. Seu objetivo é uma publicação semanal de informações, no melhor estilo de
Veja, IstoÉ, Carta Capital e Época, porém de caráter regional.
A revista é semanal com 56 páginas e tiragem de 40 mil exemplares. Distribuída gratuitamente nos bairros de maior poder aquisitivo e também numa rede de 30 bancas localizadas em regiões
freqüentadas pelas classes A e B. O objetivo é que o periódico dê o tratamento adequado à representativa economia de Campinas, que é superior ao de pelo menos meia dúzia de
Estados da federação. Revele a cidade como pólo irradiador de alta tecnologia e como a cidade que após Campos Salles chegar
à Presidência da República, em 1898, não parou mais de produzir líderes políticos.
Em resumo, revela alguns dos objetivos que deve possuir jornais de características regionais. Características como: tornar a cidade verdadeiramente conhecida de seus próprios habitantes e fazê-los saber sua história, sua importância em reação a outras regiões do país.
Um dos problemas enfrentados pelos jornalistas regionais é a padronização dos estilos e a implantação de cultura e costumes que não são característicos da região. Os principais responsáveis por este desrespeito são os programas televisivos. Segundo pesquisa realizada pelo IBGE, divulgada
em 12 de novembro de 2003, somente 8% dos municípios do País geram todos os programas de TV assistidos no Brasil inteiro.
O que se vê é a substituição da cultura local pela cultura alheia, que é impositiva e visivelmente pouco natural. As festas tradicionais e espontâneas começam a desaparecer. Em substituição surgem eventos artísticos pouco comuns aos moradores locais, envoltos de pessoas que determinam o que é bom e o que é ruim. Já é comum a troca de conversas entre casais e mesmo entre amigos por longas horas de silêncio em frente
à TV. Boquiabertos assistimos aos natais americanos cobertos de neve que na realidade só são possíveis em pouquíssimas regiões do Brasil.
Preservar costumes e culturas é um papel a ser desempenhado pelo jornalismo regional. É preciso investimento na qualidade das redações e por conseqüência o resultado final será um trabalho sério, eficiente e que faz a diferença. A valorização da produção regional e maior participação do município, e de seu moradores, é mais do que a preservação da cultura. Por meio do jornalismo regional é fazer possível a democracia cultural e o respeito as características regionais.
criação: lisandro staut |
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