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Proibido para homens 

Danielson Roaly


Desde seu nascimento, após ser abandonada em uma floresta, Atalanta foi alimentada por uma ursa. Mais tarde foi encontrada por caçadores que a levaram e deram educação para a menina. Ela cresceu forte e ágil como uma gazela. 
Atalanta se tornou muito bela e independente. Era tão independente que não necessitava de um marido. Seu maior prazer era caçar, a pé e armada com uma lança.

Atalanta é uma mulher da mitologia grega, mas poderíamos identificá-la como uma mulher da sociedade moderna. Durante muito tempo a mulher foi abandonada pelos homens como um ser dotado de habilidades profissionais. Nunca foi atribuído o seu devido valor. Mas elas cresceram e venceram. Dominaram áreas que eram redutos extremamente masculinos. Atalanta dominou a caça, a mulher moderna o mundo dos esportes.

Nesses Jogos Olímpicos da Grécia mais de 40% dos atletas são mulheres. Aquela velha pergunta machista: "Desde quando mulher entende de futebol?", foi derrubada. Existem mulheres que entendem mais de futebol do que muito marmanjo. E não é só de futebol, não! Elas entendem de futebol, de basquete, de vôlei, de handebol e de tantos outros esportes que durante muito tempo foi território exclusivo dos homens.

Essa realidade também foi projetada para o ambiente jornalístico. Muitos diziam que a inclusão da mulher no jornalismo esportivo foi única e puramente uma estratégia de marketing estético. Mas elas já provaram que isso é uma grande mentira inventada para aplacar o ego de muitos homens, que não reconhecem que a mulher se mostra muito mais competente no âmbito profissional.

Se a mulher tem como aliada à estética, melhor ainda. Mas esse não é o meio pelo qual se estabeleceu nas redações e ancoragens de programas e jornais esportivos. Poderíamos listar inúmeras qualificações para que a mulher justifique seu espaço no jornalismo esportivo. Entre elas poderíamos citar o fato dela ser muito mais emotiva. Isso ajuda ao transmitir emoção no texto apresentado. Já o homem, não tem tanta facilidade.

A mulher lutou muito para conquistar o que já conquistou. Sofreu grandes preconceitos sendo restrita somente às funções domésticas. Lutou para ser inclusa em uma sociedade machista que, durante muito tempo, possuiu uma educação voltada para os homens. E mesmo com tudo isso, a mulher apresentou conteúdo e habilidades diferenciadoras.

Mas existe ainda um grande caminho que a mulher pode trilhar no mundo do jornalismo esportivo. Tabus e preconceitos a serem quebrados. Desde que a mulher conquistou o direito de reivindicar por melhores condições de vida e trabalho, o reconhecimento profissional cresceu grandemente. 

As dificuldades da mulher jornalista não são diferentes da trabalhadora em qualquer área. Preconceitos embutidos e disfarçados, e o envolvimento pessoal para uma ascensão. Tudo isso conseqüência de uma sociedade em que a mulher continua sendo explorada como objeto.

O estereótipo de que a mulher está condicionada a ficar em casa cuidando dos filhos e da família, já era. Elas agora são independentes e encaram os desafios de frente. Esta é uma realidade que ainda não é global, mas amplia de maneira estrondosa suas fronteiras.

Agora, para os homens que percebem a ascensão das mulheres, cabe a responsabilidade de se qualificarem cada vez mais. Quem sabe até fazendo um curso de culinária e afazeres domésticos. 

                                        

criação: lisandro staut