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Conselho bom, qualquer um aceita 

Dalvina Nascimento 


O ponto principal da discussão sobre a implantação do Conselho Federal de Jornalismo deveria ser a relevância na vida das pessoas em geral, que necessitam da notícia. Não podemos simplesmente diante de um discurso inflamado agir pela emoção e nos posicionarmos de um dos lados. 

Não se trata de um simples jogo onde um dos times vai ganhar, e sim de quem vai perder. Cabe lembrar que esse debate precisa ser dividido em três partes: os cidadãos comuns, os jornalistas e os donos dos veículos de comunicação. É preciso analisar quem será o verdadeiro beneficiado com a aprovação ou não do projeto. 

É difícil ignorar o apelo veemente que a Fenaj (Federação Nacional de Jornalista) fez para convencer os jornalistas brasileiros a se unirem para "pressionar" os parlamentares a aprovar o projeto "rapidamente e sem emendas". 

Com a aprovação do Conselho as empresas de comunicação, que pagam míseros salários aos jornalistas, seriam punidas. Muitos fazem questão em discutir a aprovação ou não do projeto, mas sem entrar em pormenores para não se comprometer, ou não se prejudicar... No meio da "troca de tiros" é mais fácil se esconder atrás da "liberdade de expressão". 

Por causa da tal liberdade ficam impunes aqueles que passam por cima das normas éticas. Como fica a questão da moral dos indivíduos? Em nome da "liberdade" é lícito infligir os direitos humanos? É preciso cuidado, porque a definição de liberdade de expressão pode variar de acordo com os interesses. 

Por outro lado cabe verificarmos se o Conselho Federal de Jornalismo não é defendido por alguns sob a bandeira de defesa da dignidade e ética que seriam essenciais aos jornalistas, sendo esta a única forma de garantir total liberdade à sociedade. 

A questão é sem dúvida uma "faca de dois gumes". Merece uma avaliação mais cuidadosa. Devido à falta de conhecimento sobre o assunto, alguns têm uma certa repulsa e são indiferentes ao fato. Com ou sem o conselho, o que não podemos mesmo é permitir que as notícias sejam veiculadas de qualquer forma, de maneira irrestrita, e que os direitos do cidadão e do próprio jornalista sejam ignorados. Como diz o ditado popular: "Se conselho fosse bom, não seria de graça."

 

                                        

criação: lisandro staut