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Pequeno
sim. Miserável nunca
Isadora Schmitt
Quem estuda Jornalismo sabe. É só o indivíduo dizer que faz o curso, que logo vem a pergunta infeliz: Quando eu vou te ver na Globo? É inevitável. Além da emissora - apesar da disputa acirrada com outras redes - ter a hegemonia no quesito audiência, a imagem dita as regras e é o que fica na cabeça das pessoas. Como boa parte do público não gosta de ler é normal que a referência seja o telejornal anterior à novela das oito.
Apesar do debate não ser exatamente esse, não deixa de ser relevante lembrar o exemplo da emissora. As pequenas imprensas - veículos muitas vezes desconhecidos pela maioria - podem até não ser tão conhecidos pela tiragem ou pela audiência como os grandes, mas em alguns casos acabam superando no conteúdo.
Geralmente, a imprensa nanica está no interior. Como o objetivo desses meios é fazer um jornalismo regional, as pautas e a abrangência nas matérias, conseqüentemente, são muito menores. Já nas grandes cidades, além dos veículos terem características locais, temas nacionais e internacionais também fazem parte da linha editorial.
Mesmo assim, nas capitais existem veículos de pequeno porte com propostas interessantes. Em São Paulo - berço do jornalismo no País - existe a revista
Ocas. O impresso mensal além de ter conteúdo informativo, difere totalmente das revistas que o público está acostumado. A revista é vendida a
três reais por moradores de rua, que por meio da venda dos exemplares acabam tendo um meio de subsistência. Além dos vendedores saírem das calçadas, parte do dinheiro é destinado a ONG que mantém o projeto. Uma forma diferente de fazer jornalismo.
Muitos exemplos poderiam ser citados. Jornais de bairro, rádios comunitárias, televisões universitárias. Pequenos veículos por aí é o que não faltam. E, querendo ou não, por serem menores, e obviamente terem menos dinheiro, a liberdade de ousar nesses veículos acaba sendo maior. Não estão tão envolvidos com anunciantes e, por isso, acabam tendo certa liberdade editorial.
Não que o clichê "nos menores frascos estão os melhores perfumes" esteja totalmente certo. Mas a pequena imprensa com certeza é uma escola para os jornalistas serem bem sucedidos. Como a empresa é menor, o profissional acaba trabalhando em diversas funções. O que o prepara melhor para as grandes redações.
O preconceito pode até ser grande, mas o aprendizado é muito maior. Trabalhar em uma pequena imprensa não desmerece o trabalho do jornalista. Pelo contrário, dignifica. Além disso, o crescimento dessas novas propostas acabam ampliando o mercado de trabalho, que por sinal está pra lá de saturado. Por isso, apesar dessas mídias serem pequenas no tamanho, não significa que sejam miseráveis no valor.
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