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Excelência
na informação
Wendel Lima
Crise. Talvez esta seja uma das palavras mais usadas atualmente. Está estampada nas telinhas, bem como nas capas dos diários e semanários. Define a instabilidade econômica brasileira e mundial. É associada ao governo, ao casamento, ao mercado e inclusive à indústria da informação.
O mau momento por que passa a mídia brasileira é contemporâneo ao internacional. Porém, no caso do Brasil, existem peculiaridades. Com a euforia do Plano Real em 1994, os empresários da comunicação endividaram-se em dólar, ao investirem pesado na renovação do seu parque gráfico. Resultado: dívidas lá em cima, lucros lá embaixo.
Como a corda sempre estoura do lado do mais fraco, dá-lhe jornalista na rua. Foram centenas embora em poucos meses. Para piorar, em geral, só veteranos deixaram as redações. E os novatos? Bem, substituíram os despedidos, mas ganhando a bagatela de foca. Portanto, temos redações cada vez mais sobrecarregadas e inexperientes.
Não bastasse a rasteira da estabilidade monetária, o investimento publicitário caiu significativamente. Ricardo Noblat, em
A Arte de Fazer um Jornal Diário, aponta essa tendência. Segundo ele, os jornais tiveram em 2001 queda de 7,2% em anúncios, em relação ao ano
anterior (leia
resenha).
Reflexos
Diante deste panorama desfavorável, a saída para as empresas foi reduzir os custos, aumentar as vendas e atrair investimentos externos. Os cortes não ocorreram na área gráfica, mas na redação. Já o crescimento na tiragem aconteceu mediante uma inovação na diagramação e na "criatividade" das pautas. Por sua vez, a participação do capital estrangeiro na mídia nacional foi regulamentada em 30% e tem sido motivo de grande debate.
Para bom entendedor, meia palavra basta. Assim, fica claro que a crise financeira se reflete diretamente no conteúdo da mídia. No entanto, os jornalistas ditos executivos, em suas inovadoras estratégias administrativas, tiraram os titulares e colocaram os reservas em campo. Não que nós, jovens profissionais, não tenhamos capacidade, mas é preciso mesclar a garra dos novatos com a experiência dos veteranos.
Por outro lado, independentemente da idade, tem-se a inovação das pautas, que, especialmente nas revistas, não passa de exploração de temas fúteis. Numa rápida olhadela nas últimas edições dos mais vendidos semanários, verifica-se o apelo maciço a assuntos polêmicos e comercias, como homossexualismo, sexualidade, fama, fofocas, etc. É a venda em detrimento à informação, em detrimento à prestação de serviço.
Numa breve análise das últimas capas das maiores revistas brasileiras, comprova-se a inversão de valores. Assuntos prioritários, relacionados à economia e política, são desdenhados. Mereceriam reflexão, mas ficam em segundo plano. Quando a saúde é abordada, geralmente recebe um enfoque estético, com exploração da sensualidade nas fotos.
É verdade que a crise não se compõe apenas de sombras. Ela também contribuiu para a melhoria das artes gráficas. O avanço foi significativo. Nas revistas, especialmente nas capas, tem se dado atenção para as cores, fotos e caricaturas. Já a diagramação interna se caracteriza por gráficos, tabelas e diagramas.
No campo dos jornais, a inovação gráfica tem como pioneiro o Jornal do
Brasil, e posteriormente o Jornal da Tarde. Mas a vedete dos últimos anos é o
Correio Braziliense, diário premiado internacionalmente, no quesito "diagramação". A reforma, que começou pela linha editorial, veio romper com os paradigmas de então. Num formato arrojado, colorido e surpreendente a cada edição, o
Correio tornou-se referência nacional.
Perspectivas
A vida continua, e com ela os desafios. Como muitas empresas se encontram à beira da falência, recorrer ao capital estrangeiro será a tendência provável em curto prazo. Este é um risco tremendo. Hoje, pede-se a mão; amanhã, exige-se o braço. Nenhuma empresa estrangeira investirá sem ter lucratividade e poder acionário de decisão.
Tais previsões apontam para uma comunicação cada vez mais concentrada, oligopolizada. O risco da manipulação da informação aumenta, bem como a ameaça à nossa cultura.
A saída? Como qualquer outra indústria ou empresa em crise, diante de uma concorrência selvagem, a solução é oferecer qualidade no produto ou serviço. A embalagem, por mais bela que seja, torna-se menos relevante assim que é contrastada com um conteúdo ruim. A mídia existe para informar, interpretar, opinar. Portanto o seu produto é a informação, a interpretação e a opinião. Esta deve ser a sua prioridade, o seu compromisso com o leitor.
Muito mais do que apelar para o sensacionalismo ou para pautas irrelevantes, os impressos devem investir em pessoal, na medida que o fazem no setor gráfico. Para sobreviver, é preciso inovar, surpreender, buscar novos nichos, conservar outros, agregar valores. É preciso dar mais leveza ao texto, procurar antecipar a notícia, interagir com o cliente, pesquisar. Afinal, a informação também precisa ter ISO 9002.
criação: lisandro staut |
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