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Pode-se confiar nos jornalistas?

Fabiana Amaral


Ok! Não vamos discutir se é realmente verídica essa crise toda ou se não passa de mais uma alienação coletiva promovida pela mídia - por mais absurdo que pareça, não é impossível. Mas ainda há muitos aspectos curiosos na abordagem jornalística sobre a própria imprensa.

Um fato bastante peculiar, pelo menos nas rodinhas dos focas, é a abordagem a respeito das profissões, encontrada nas semanais mais famosas como Veja, IstoÉ e Época. Normalmente, uma vez por ano ou menos, essas revistas trazem matérias sobre o perfil das profissões e qual a tendência do mercado para cada uma delas.

Nessas reportagens, são colocadas as que estão em alta, as que já se encontram saturadas e as que vão render uma boa grana no futuro. Mas é engraçado que, pelo menos há um bom tempo, as matérias vistas sobre jornalismo sempre abordam a profissão de forma bastante pessimista.

As informações dadas aos leitores é que não adianta investir, pois jornalismo está em baixa, que para não morrer de fome tem que se "prostituir" na profissão, ir para áreas não tão jornalísticas assim... Enfim, caiam fora todos os que pretendem seguir carreira jornalística! 

É bem verdade que o negativismo não acontece só com a nobre profissão dos jornalistas, mas com outras tantas que não apresentam uma cara boa para o mercado. A curiosidade, porém, advém do fato de se tratar de jornalistas escrevendo para futuros e pretensos jornalistas.

Há quem acredite ser mera coincidência, ou nem isso. Pode ser apenas um fato. Ora bolas, a coisa "tá ruim" para muita gente e também para o jornalismo. Mas ao saber que se trata de profissionais que estão no mercado, que normalmente custam caro, levando-se em consideração o apreciadíssimo caráter da raça, também se pode inferir tratar de pura e simples defesa.

Defesa, sim! Os foquinhas que saem animadíssimos dos bancos universitários vêm com a cara e a coragem para o que der e vier. Suportam qualquer coisa no início da carreira para entrar de vez no rol. A visão é apaixonante demais e por que não sacrificar um bom salário no começo? Isso significa que ficaria mais barato para o patrão pegar um empolgado novato, dispensar um mexeriqueiro e rixoso veterano e ainda economizar uma boa quantia na folha de pagamento.

Então, nada mais natural que, enquanto estão no controle, assustem os arremedos de jornalistas que querem entrar no barco. Para tanto, bastaria inserir no meio das profissões quebradas o jornalismo. Não é tão incoerente, concorda?

Mas no final das contas, quem é que sabe a verdade? Já dizia um famoso do ramo: "numa guerra [e isso é uma guerra] a primeira vítima é a verdade". Estamos em crise, tudo bem, mas ela é tão dramática como nos apresentam nossos futuros colegas de carreira?

                                        

criação: lisandro staut