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A
ocasião faz o jornalista
Delton Unglaub
A imprensa está em crise. Veículos tradicionais terceirizam sua administração, jornalistas são despedidos para cortar gastos, agências de notícias são utilizadas ao invés de jornalistas. Todos os anos milhares de estudantes se formam em jornalismo. Quantos, porém, conseguem o emprego que tanto sonharam? As opções de trabalho parecem mínimas. Qual seria um caminho alternativo para esta crescente crise?
A resposta pode estar na própria pergunta: "alternativo". Esta palavra talvez dê uma luz para muitos pessimistas. Alternativo, no meio jornalístico, significa a produção de publicações empresariais, mais conhecidas como
house organs; dentre elas jornais, revistas, boletins editados por empresas não-jornalísticas e, até mesmo, canais jornalísticos de tv a cabo e outros meios.
Estes veículos podem se tornar um grande campo de atuação de jornalistas. O mais interessante é o fato dos mesmos serem administrados por empresas de variados ramos. A maioria das notícias assemelha-se a anúncios. Muitas revistas ou folhetos são praticamente um
folder. Outros, porém, investem em assuntos leves e voltados ao cotidiano popular, como a
Revista Coop, da Rede Cooperativa de Consumo.
Os veículos alternativos surgiram por intermédio de conflitos entre patrões e empregados. Eles foram introduzidos no Brasil para servirem como instrumentos de relações públicas. No momento, os
house organs são utilizados por grandes empresas com o intuito de divulgar atividades da organização.
Houve a necessidade de criá-los para anular os efeitos de possíveis veículos de divulgação de ideologias do movimento operário, oriundos do século anterior, e bastante eficientes para mobilizar e unir empregados. Eram feitos, de modo improvisado por funcionários voluntários, mas sem experiência alguma. Atualmente, as empresas têm contratado jornalistas para realizarem este trabalho.
Maria Lucinete Tavares, em Jornalismo Empresarial, defende que os house organs transpuseram a fronteira informativa, para agregar a "função auxiliar para atingir objetivos mercadológicos e também de interação". Os meios alternativos têm a tendência de crescer cada vez mais. Hoje, devido ao padrão que alcançaram, algumas publicações empresariais passaram a ser dirigidos ao público externo.
No fórum dos cursos de Jornalismo - realizado na Faculdade de Comunicação Social
Cásper Líbero, entre os dias 29 e 31 de março de 2002 -, jornalistas, estudantes e professores da área analisaram e debateram as principais questões que envolvem a formação acadêmica e o exercício da profissão no Brasil. Uma das conclusões é a necessidade de "fortalecer todos os espaços e meios alternativos de comunicação, especialmente os veículos comunitários que expressam os movimentos sociais excluídos e marginalizados pelos grupos de comunicação".
O debate acadêmico confirma as questões levantadas aqui: o avanço e desenvolvimento do jornalismo alternativo podem ser uma forma de dessaturar o mercado e abrir novas portas.
criação: lisandro staut |
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