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Assessoria, a rota de fuga

Victor Drummond


Não é novidade que o desemprego assola também as áreas da comunicação. As redações estão cada vez mais enxutas. O Grupo Folha dispensou muitos de seus jornalistas há alguns meses. Para onde fugir, quando muitas portas se fecharam? Como ser repórter, se as equipes de coberturas estão cada vez menores?

No vendaval dessa crise, as assessorias de imprensa com seus vários ramos têm se tornado as rotas de fuga para jornalistas que precisam sobreviver. Esta é uma área jornalística em ascensão. Diria tratar-se de uma função que sempre existiu, mas que só agora está sendo descoberta e explorada em diversas vertentes.

Quando penso em assessoria de imprensa, logo me vem à mente as palavras de um professor de Jornalismo dizendo: "assessoria é o ramo que melhor paga seus profissionais". Nunca perguntei aos assessores de imprensa que conheço quanto eles ganham, mas o mercado indica que as palavras do mestre estão bem fundamentadas.

O ramo de atuação é amplo. Há vagas como assessor de celebridades artísticas, políticas ou esportistas. Estas são as áreas mais rendáveis e com maior chance de empregabilidade. Segundo a Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica (Secom), o governo é o maior empregador de jornalistas no Brasil. Embora menos lucrativo, encontra-se espaço também na assessoria jurídica ou em tribunais de justiça.

Obviamente, não é possível afirmar que todo assessor de imprensa é um jornalista que perdeu o emprego ou que não encontrou oportunidade nas redações. Mas com certeza, a assessoria é uma área de maior estabilidade empregatícia e financeira, com grandes possibilidades de ascensão, vantagens e promoções salariais. E isso atrai muitos profissionais.

Nem tudo é motivo de comemoração. Infelizmente, as faculdades de comunicação não preparam seus alunos para atuar nesta área. É raro encontrar uma grade curricular com a disciplina "Assessoria de Imprensa". E quando há, os estudantes têm pouco contato com a realidade do mercado.

Outro problema comum no meio é a eterna discussão entre relações públicas e assessores de imprensa. Os relações públicas acusam os assessores de estarem desempenhando papéis semelhantes aos seus - invasão do mercado de trabalho.

A acusação corresponde à realidade. Conforme a Secom, existem 2.215 profissionais de comunicação trabalhando nas várias equipes de assessoria dos órgãos federais. Entre eles, a maior parte é jornalista; raríssimos são os relações públicas. Algumas funções, como a promoção institucional do governo, fazem parte da função dos relações públicas. Por sua vez, o cargo de assessoria é uma função exclusiva dos jornalistas.

Aos relações públicas cabem o marketing de relacionamentos, a fidelização dos clientes, a manutenção da boa imagem da empresa perante fornecedores e clientes, enfim. Os assessores de imprensa devem preocupar-se com a circulação e veiculação da boa imagem da empresa perante a mídia. Agendar entrevistas, assessorar os diretores quanto ao que dizer, serem porta-voz da empresa perante os jornalistas, preparar releases, enfim. Cada um tem o seu papel. Não há porque confundi-los.

                    

criação: lisandro staut