editorial | ombudsman | debate | imprensa
mídia | cultura | perfil | nostalgia | opinião
  em tempo | olho vivo | leitor | e-mail | expediente
anteriores | próximas edições | inicial

Programa de "crente"

Grace Spínola


Constantemente vemos notícias sobre evangélicos nos principais meios de comunicação do País. São capas, programas, matérias, entrevistas. Tudo sobre os "crentes" e sua fé.

E sobre os católicos? Vemos capas estampadas com a pedofilia de padres, entrevistas sobre o tão polêmico celibato, reportagens de milagres que não aconteceram. Assistimos matérias de freiras enclausuradas, de superstições e de santos que nada fazem. Seria esse um modo de preconceito?

Apesar do Brasil ser um País católico, os evangélicos estão tomando o lugar da paróquia. Missas, terços, padres e rezas são substituídos por marchas, camisetas, pastores e orações. A mídia está repleta deles. Vários artistas se declaram fiéis seguidores do evangelho. Vários canais se declaram meios de evangelizar. Pastores, bispos e crentes distribuem seus folhetos "disseminando" a mensagem por onde quer que passem. Eis a moda: ser evangélico.

Os evangélicos, apesar do modismo, vieram para ficar. Num mundo onde "tudo está perdido", é deles a palavra da "salvação pela graça". Há salvação para o ateu, para o drogado, para o bêbado, para o promíscuo, para o assassino... E a salvação para os católicos? Esta parece não existir...

Na mídia evangélica, vê-se um preconceito contra católicos. Talvez o maior deles seja pelo fato dos católicos adorarem santos, imagens. Todos se lembram quando a imagem de Nossa Senhora foi chutada e insultada diante das câmeras de TV. Um ato claro que mostrou a discriminação existente. Nas muitas revistas da religião, há matérias e reportagens tendenciosas, cujas "entrelinhas" condenam padres, freiras, e seus seguidores.

Não podemos descartar aqui que também há veículos sérios que cumprem o papel da religião. Mas o que fica mais evidente é que há um preconceito tão forte quanto o racial - o preconceito religioso. 

Seja por parte de evangélicos, católicos, kardecistas, mulçumanos, devem lembrar que todos são merecedores de respeito. Temos opiniões e gostos diferentes. Nada vale a pena por uma "guerra santa".

                                        

criação: lisandro staut