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Erguei as mãos, porque assim não dá!

Katianne Jouguet

Não é novidade as igrejas buscam divulgar e propagar suas ideologias e crenças por meio dos veículos de comunicação. Com o intuito de persuasão eficaz, a mídia eletrônica, principalmente a televisão, tem sido a mais utilizada por diversas facções.

Programas de cunho doutrinário são transmitidos em emissoras seculares ou religiosas. Nota-se, porém, uma precariedade e amadorismo nestes programas e nos veículos de mídia denominacionais. A falta de recursos tecnológicos, de qualidade de conteúdo e de uma linguagem global/geral e concisa, tem proporcionado a estagnação no processo de convencimento de telespectadores assíduos.

Normalmente, as programações religiosas são maçantes, repetitivas e não chamam a atenção. Existem emissoras, como a Rede Globo, que mantêm um espaço a estes apenas aos domingos. Os mesmos são voltados principalmente ao grupo católico, englobando as famosas missas ao vivo - ou "showmissas" - dirigidas por padres ou bispos conhecidos. Há uma monopolização da Igreja Católica. Quem não é católico não se interessa pelo conteúdo. Um grande aparato tecnológico apenas não faz milagre.

Enquanto a Globo abre-se ao catolicismo, a Rede Record explora o seu lado "Universal" de ser. A emissora do bispo Edir Macedo detém em sua grade os seguintes programas: Ponto de Luz, Ponto de Fé, O Despertar da Fé, Coisas da Vida, Falando de Vida e outros "pontos" e "vidas". Todos estes, com duração de uma hora, expõem a ideologia da Igreja Universal do Reino de Deus.

Ambos seguem o mesmo padrão: o apresentador, pastor ou bispo, tem uma voz rouca e trata a pessoa como amigo/a. Não há uma mobilidade do mesmo. Já o estúdio, qualquer leigo nota que é improvisado numa sala-de-estar. Há no máximo duas câmeras fixas. As pessoas ligam e contam os seus problemas; uma vai ao "estúdio" escancarar sua experiência de vida e, no decurso são apresentadas simulações de péssima qualidade. O horário televisionado é da meia-noite às seis da manhã. Sempre há o momento de oração com o famoso copo com água.

"Oratória" improvisada

"Sua vida não tem mais solução? Saiba que existe solução para os seus problemas (...) Você que está enfrentando uma separação, uma doença, problemas financeiros, não se preocupe, nos procure e tudo será resolvido". De uma forma resumida, é assim o padrão de "oratória" adotado.

É claro que um pastor pode ajudar a resolver os problemas espirituais, mas falar errado e tentar ser psicanalista já é exagero. No programa Casos Reais (21/10/03), da CNT, o apresentador, o bispo Eduardo, proferiu "Vai aparecer problemas, vai aparecer obstáculos". Isso já é demais. Está certo que tudo é improvisado, mas erros de português? Por favor!

Porém, algo de bom deve ser admitido em Casos Reais. Trata-se de um ponto interessante que pode ser destinado aos outros programas. No Momento de Oração, o apresentador profere, ao som de uma música lenta, as seguintes palavras: "Visita, Senhor, esse amigo católico, espírita, budista (...)". Apesar do amadorismo vigente, o preconceito entre religiões visa ser quebrado. 

Essa debilidade da organização eclesiástica nos meios de comunicação não se restringe apenas à Rede Record. Com base nesta emissora percebe-se o nível dos programas religiosos noutros canais. Falta maior investimento, dinâmica e linguagem apropriadas para o veículo. Não adianta cansar o telespectador como faz a Rede Vida, transmitindo seu itinerário denominacional de maneira consecutiva e, muitas vezes, reprisando. 

Meia hora de momento espiritual que busque atingir a um público desconhecido tem muito mais efeito que três horas ou 24 horas de programação ideológica e monótona na qual todos já estão enfadados. No entanto, como ainda não houve uma mudança na mentalidade dos diretores de programação referida, nenhuma emissora secular que preze respeito destinará maior espaço para a persuasão de preceitos éticos religiosos.

Descarrego, maldição hereditária. As pessoas já conhecem estas expressões. É necessário falar de Deus. Se rendam, então, ao fim das cerimônias entediantes e precárias. Erguei as mãos
, porque assim não dá!

                    

criação: lisandro staut