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Arte
e informação
Jeane Barboza
Ao contrário do que prega o comercial de refrigerante, imagem é tudo nos meios de comunicação. Que o diga os jornais e revistas que têm se dedicado a empregar cada vez mais o infográfico.
O uso da imagem nos mass media já foi tema de inúmeras palestras, como a do jornalista Ary Moraes (PUC-RJ), consultor em design de notícias e infografia. Com aspecto crítico, Moraes mostrou alguns infográficos com informações além das necessárias e outros usados apenas para suprir a falta de fotos, ou seja "substituindo um visual pelo outro, sem aferir qualidade", declarou ele ao
Jornal ANJ (abril/2003), da Associação Nacional de Jornais. Na palestra, Moraes aprovou o uso da imagem aliado ao texto. Fez, porém, algumas ressalvas: simplicidade, design "limpo" e clareza.
Há cerca de dez anos previa-se que a mídia impressa iria desaparecer. Mas a profecia não se cumpriu. Aliás, novas idéias vêm surgindo para resgatar a estima dos jornais. Nos dias de hoje, diferente do passado, os conceitos da arquitetura de notícias vêm mudando. Há a idéia de que existem muitos recursos que podem ser utilizados, além do fato de que o público também muda.
A evidência da metamorfose dos leitores é a era do jornalismo publicitário. Leandro Marshall, professor da PUC-RS, no livro
O Jornalismo na Era da Publicidade, chama essa tendência de "jornalismo cor-de-rosa", caracterizado por páginas repletas de imagens e infográficos,
designs ousados e conteúdo editorial mais leve. O novo modelo atrai mais leitores e, conseqüentemente, mais anunciantes.
Interação
Toda essa onda, característica da nova era, tem mostrado como qualificar a imagem das coberturas jornalísticas. O que, de fato, é muito bom. "É importante observar que o design de uma página não apenas deve atrair como deve traduzir através de sua composição gráfica o conteúdo auxiliando a sua compreensão", destaca a desenhista industrial Luciana Cardoso, em texto científico publicado na revista eletrônica
À Milanesa.
O designer, lembra Luciana, deve ter muita cautela ao dispor dos recursos oferecidos pela tecnologia. Às vezes, corre-se o risco de cair no vulgar ou espalhafatoso. "Deve cuidar em tornar a leitura menos cansativa, em criar uma identidade e associar a forma ao conteúdo", lembra Luciana.
Os defensores da imagem devem lembrar-se de que o que faz um jornal viver não são seus departamentos financeiros nem suas áreas de produção gráfica, mas sim as redações. Isso não quer dizer que se deve menosprezar a importância das imagens nos textos. Elas têm um objetivo: dar vida ao texto.
Essa evolução estética tem contribuído bastante para um jornalismo mais analítico. Situa as notícias em seu contexto mostrando suas causas e conseqüências em real sintonia com as demandas do público; têm melhorado seu aspecto visual, com mais cores, desenhos mais harmônicos e utilização de infográficos criando sistemas de promoção e aperfeiçoando sua distribuição. Isso os leva mais próximo aos leitores, na intenção de traduzir a mensagem graficamente de forma correta e clara.
Pode-se dizer que a maior importância da imagem no jornalismo moderno é a interação, não apenas entre o leitor e o comunicador, mas entre a arte e a informação. Essa é uma relação muito importante nos meios de comunicação de massa, já que envolvem uma combinação de imagens e palavras, numa tentativa direta de transmitir conhecimento.
criação: lisandro staut |
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