|
|
|
editorial |
ombudsman | debate
| imprensa
mídia |
cultura | perfil |
nostalgia | opinião
em
tempo | olho vivo | leitor
| e-mail | expediente
anteriores
| próximas edições |
inicial
Para
que serve um diploma
Fabiana Siqueira
Agora que finalmente estou concluindo o curso de Jornalismo, descobri algumas outras razões para reverenciar a existência do diploma. Ainda não precisei utilizá-lo para usufruir os benefícios do sistema carcerário brasileiro, mas percebi que sua importância está muito além disso.
O papel em si não comporta valor algum, tampouco é capaz de conferir competência a quem quer que seja. Mas os anos de teoria são fundamentais à prática, embora nem todos concordem. A faculdade deveria ser considerada um luxo num País de tantos analfabetos, desempregados e despreparados. Exigir o diploma é uma forma que o mercado de trabalho encontra para valorizar aqueles que optaram por preparar-se para enfrentá-lo. Ou pelo menos deveria ser assim.
Depois de tanta discussão em torno do diploma em Jornalismo, que virou vitrine nacional durante meses (até que alguém decidiu utilizar suas capacidades mentais e derrubar a liminar da juíza Carla Rister), é possível fazer uma análise mais fria da situação. No primeiro ano da faculdade, confesso que também fui tentada a encarar o diploma de Jornalismo com certo relativismo. Mas depois de aprender quase toda a teoria acerca desta profissão, não entendo como tantas pessoas conseguem exercê-la sem
o devido preparo.
Muitas pessoas julgam o Jornalismo como um vilão da sociedade, como um disseminador do mal. Confundem mídia, no geral, com imprensa. Talvez, por isso, acreditem que para este tipo de trabalho não seja necessário o preparo de quatro anos.
Mas é justamente a instrução que confere ao Jornalismo um caráter mais sério do que pretendem para ele. Um leigo certamente não possui as noções de ética, prioridade de informação e compromisso com a comunidade do que aquele que dedicou tanto tempo a elas. Não quero dizer com isso que todos os jornalistas utilizam a teoria aprendida no decorrer da faculdade ao longo de sua profissão, mas as probabilidades de que isso funcione com alguém que possui um diploma são muito maiores do que com aquele que acordou um dia e decidiu ser jornalista.
A cura da impotência
Não culpo apenas a sociedade por desvalorizar o diploma. A universidade muitas vezes é responsável por isso. Alguns cursos de Jornalismo são vistos, dentro do próprio campus, como inferiores, desnecessários, entre outros atributos distorcidos. Os alunos são tomados como sinônimo de problema, rebeldia e, na maioria das vezes, acabam tendo que reivindicar coisas básicas como melhores professores para áreas específicas, já que não são prioridade da universidade. E partem para o mercado de trabalho com essa imagem obscurecida que fazem deles.
A voracidade com que muitas pessoas atacam o diploma, para mim, tem a ver com impotência. Impotência diante da competência dos profissionais preparados, da crítica ao sistema - plano de fundo do Jornalismo -, da força do quarto poder. Impotentes, homens e mulheres posicionam-se arbitrariamente no afã de não serem diminuídos em uma sociedade onde a informação é a principal moeda.
Enfim, vou para o mercado de trabalho com a consciência tranqüila de quem fez tudo o que podia para enfrentá-lo. Os profissionais com quem tive contato, por ocasião da freqüência às aulas, acrescentaram muito à minha experiência e eu considero esta como uma das principais vantagens do diploma que receberei em breve. Eu aconselharia àqueles que fazem tanta questão de trabalhar em jornalismo, mas não possuem a devida formação, que voltem à universidade. Se não pelo diploma, para aprenderem a criticá-lo.
criação: lisandro staut |
|