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Somar ou dividir

Alex Gonsalves


Em qualquer curso, especialmente na área de humanas, há uma discussão sempre presente. Debates freqüentes acontecem entre aqueles que defendem a prática e os que priorizam a teoria. Em Jornalismo, não é diferente. Essa discussão se acirra ainda mais por existirem no mercado de trabalho bons profissionais com referencial teórico satisfatório, que cursaram a faculdade, e bons profissionais que não têm formação superior. Estes, "formados" pela prática.

Ao final de quatro anos de estudo no curso de Jornalismo, aprendi muito com as teorias e práticas nas quais me envolvi. Aliando isso ao que percebo no mercado, entendo que ambas as áreas são importantes e, acima de tudo, complementares. Para uma formação satisfatória é preciso entrar em contato com ambas. Teoria e prática não são dicotômicas, são inerentes.

Para uma teoria ser considerada pertinente, é necessário ter uma aplicação com resultado positivo na prática. Por sua vez, para uma prática ter efeitos positivos, ela precisa se embasar em conhecimentos prévios. Evidenciado só um aspecto, o jornalista pode alcançar bons resultados, mas não na plenitude e potencial que se poderia obter com as duas partes satisfeitas.

Um jornalista sem um referencial teórico pode se destacar, mas se o tivesse, os feitos seriam incomparavelmente superiores. Quanto à teoria, o mesmo se nota. Estudar, estudar, estudar não faz de ninguém um jornalista fenomenal. É preciso aliar estes estudos com a aplicação dos princípios neles aprendidos.

Por isso, uma boa formação acadêmica é aquela que coloca seus alunos em contato com a teoria, proporciona oportunidade de aplicá-la e, em seguida, instiga à avaliação da aplicação, comparando com a teoria novamente. É, então, um ciclo contínuo de análise-aplicação-análise... Quanto mais intensa ocorre esta relação, mais eficaz é a formação. Uma boa faculdade é aquela que desperta no aluno a importância desta interação.

Se hoje posso ter expectativa de me sair bem no mercado de trabalho, foi graças ao que aprendi nos livros e salas de aula, aliado às oportunidades de aplicar nos estágios que participei. Eis o porquê de valorizar a interação. Um prático sem a teoria é um eterno subordinado aos pensadores que detêm o poder, um refletor de pensamentos. Um teórico sem a prática pode ser um analista de qualquer coisa, menos da realidade.

Diploma é necessário

Assim, a discussão que se levanta com relação à validade do diploma de Jornalismo é uma ignorância por parte de quem a origina. O fio da meada da incompetência profissional jornalística não está em ter ou não o diploma, mas no tipo de formação recebida nos bancos acadêmicos. Não é abolindo o diploma que se resolve o problema, mas melhorando a formação profissional. É necessário "o repensar a escola" para transformá-la, mas não extingui-la. Isso seria uma exaltação à ignorância.

A discussão da validade do diploma é positiva no sentido de fazer pensar sobre a formação acadêmica. Mas não significa nada com relação ao espaço profissional, pois sempre haverá lugar para o competente. A questão é se haverá mais ou menos lugares para os incompetentes.

                                        

criação: lisandro staut