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Sobre a validade do diploma

Ágatha Lemos


Para se posicionar quanto à validade do diploma de Jornalismo é preciso destacar duas situações inegáveis. Uma é que existem profissionais de outras áreas, não vinculados à Comunicação, no entanto, capazes de comunicar com competência. Por outro, lado é o jornalista formado e diplomado que tem, implicitamente, o aval necessário para atuar no mercado.

É evidente que um médico, por exemplo, tenha especificações adequadas para produzir um texto da ciência médica. Um economista também pode ser um bom comentarista em telejornal, dentro do assunto que domina. O fato de se comunicar o que se conhece e sobre o que está habilitado, evita erros de informação e equívocos quanto a dados.

No entanto, a abertura do mercado jornalístico sem nenhuma restrição pode desvalorizar a profissão assim como aumentar o número de desqualificados atuantes. Saber comunicar nem sempre se relaciona à responsabilidade que isso exige. Ética, honestidade e compromisso com o jornalismo estão acima de uma boa redação, locução ou apresentação eficientes.

Não é o diploma que capacita o profissional, mas, sem dúvida, a sala de aula contribui para o aperfeiçoamento técnico, teórico, prático e até mesmo moral. Afinal, ética, moral e outros princípios fundamentais estão diretamente ligados à formação educacional.

Apesar da universidade não ser a responsável direta pelo caráter do aluno, ela está, de certa forma, se responsabilizando pelo tipo de jornalista que aprova, ao permitir que exerça, no mercado, o que foi ensinado em sala.

Há muitos estudantes que vão para a faculdade com uma visão "romântica", "mercenária" ou "estrelar" do jornalismo. É a experiência do professor que oferece uma influência necessária para o equilíbrio dos ideais dos futuros comunicadores.

E dentro dessa experiência, inserem-se os aprendizados prático e teórico. Enquanto o primeiro é relevante para o domínio da técnica por meio do esforço da repetição, o segundo é essencial para o acréscimo de cultura e consciência social. A prática é a mecanicidade, ao passo que a teoria constitui um conteúdo indispensável para a excelência da praticidade.

Diante disso, é evidente que o diploma, a universidade, as aulas dentro e fora de sala são parâmetros fundamentais na construção de um jornalista capaz de interagir, coerentemente, com a sua função. O diploma é importante porque é uma garantia de aprovação, talvez não no sentido pessoal, como se fosse um fiador da incorruptibilidade do portador, mas por oferecer a certeza de que o aspirante teve, no mínimo, as noções básicas e prioritárias para desenvolver aquilo que tem proposto.

                                        

criação: lisandro staut