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Comédias
da vida presidencial
Isadora Schmitt
É indiscutível dizer que a imagem de Lula não é mais a mesma. O torneiro mecânico, "sapo barbudo" - como diziam muitos - há algum tempo não é mais temido pelos brasileiros. Não é para menos. Depois de três derrotas consecutivas, o eterno líder de esquerda conseguiu chegar à Presidência justamente pela mudança de sua embalagem pessoal.
Satirizar os líderes políticos de uma nação é especialidade da mídia. Não só em governos republicanos como também nos monárquicos. Tanto isso é verdade, que na Inglaterra - país rico em escândalos - os jornais não perdoam os furos da realeza. Os Estados Unidos também não ficam atrás. Casos como o do presidente Bill Clinton, envolvido em casos extraconjugais na Casa Branca também não foram perdoados pela imprensa americana.
Nem Fernando Henrique Cardoso - talvez o presidente mais politicamente correto que passou pelo Planalto - ficou fora da "malhação" por parte dos veículos. Suas constantes viagens, seu jeito de falar, sua mudança de paradigma em relação à política e até mesmo sua barriga na praia, também foram alvos dos meios de comunicação tupiniquins.
Tendenciosidade dos meios
Lula com certeza é hoje bem menos "malhado" que no passado. O fato de ele ser o atual presidente do País, evidentemente contribui para que a imprensa aja dessa forma. Mesmo assim, ainda há um preconceito por parte dos diversos setores em relação à "falta de qualificação" do seu currículo. Mesmo que não seja de uma forma explícita, as críticas em relação aos seus discursos e aos seus projetos, em muitos casos chegam a ser tendenciosos.
Por incrível que pareça, os rapazes do programa Casseta & Planeta
são um dos poucos que criticam a situação de uma forma um pouco mais saudável. Eles abordam os problemas do governo, mas não de uma forma que ataque diretamente a imagem do presidente. Prova disso foi Lula ter assistido - juntamente com os cassetas - o filme
A Taça do Mundo é Nossa, película dos comediantes lançada este ano.
Se antes satirizavam Lula pelo seu aparente radicalismo, hoje o crucificam pela suas decisões mais moderadas. Não adianta. Os meios de comunicação sempre irão atacá-lo de algum lado. Se não for pela sua ideologia, será pela mudança de decisões. O que não deixa de ser saudável, pois a imprensa também tem o papel de levantar questionamentos de forma descontraída.
Sem fazer apologia ao atual governo, existem mais críticas e "malhações" em relação à Lula, do que elogios aos acertos do governo. Mesmo que existam alguns veículos que são moderados em relação a isso, há outros que insistem em ser do contra. O que também não deixa de ser normal, pois Lula também já foi oposição.
criação: lisandro staut |
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