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Reforma
na mídia
Danielson Roaly
Em 8 de julho deste ano, o
Observatório da Imprensa realizou uma pesquisa para saber se a mídia estava ajudando a esclarecer o debate sobre a reforma da Previdência. A resposta dada por 86% dos internautas foi não. Isto é uma conseqüência da imprensa deixar de dizer a seu público-leitor o que é realmente importante.
Grande parte da cobertura jornalística do atual governo coube à reforma tributária e à reforma previdenciária. Analisando alguns dos maiores impressos distribuídos nos lares brasileiros, encontramos grande dificuldade de esclarecer estes pontos.
Em 5/5, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu aos donos e representantes dos principais órgãos de imprensa que gerassem debate sobre as reformas da Previdência e tributária. O objetivo de Lula era que esta discussão se estendesse a todo o País.
A cobertura dada pelo jornal O Estado de S. Paulo foi a mais bem definida. Oposição direta ao governo. Apresentando sempre as falhas da reforma. Não comenta os pontos positivos, mas não os deixa de noticiar, fazendo apenas relato dos fatos. Evidencia sempre o lado negativo das votações.
As manchetes formuladas parecem feitas para confundir o leitor, principalmente nos aspectos positivos. O jornal dá mais ênfase às derrotas do governo do que no processo democrático.
Em contrapartida, o jornal Folha de S. Paulo ao procurar ser imparcial acaba sendo apático, fazendo uma pálida cobertura de um processo tão importante para o desenvolvimento nacional. Às vezes seria preferível ter um posicionamento claro, pois geraria reflexão.
Por vezes, a Folha apresenta aspectos positivos deste processo. Nos pontos que o Estadão analisa negativamente, ela aborda com naturalidade, como conseqüência do processo natural de desenvolvimento político. Mas mesmo assim, o jornal poderia ser muito mais enfático e esclarecedor.
Revistas
A revista Carta Capital comenta todos os movimentos políticos, fazendo projeções futuras, dando muitos dados econômicos e políticos. Queridinha dos estudantes de jornalismo, roda-roda Jericó, mas não toca a trombeta. São poucos os momentos em que ela esclarece realmente a realidade das reformas. As rápidas alusões a elas são encontradas na seção predileta de Mino Carta, "A Semana".
A revista Veja, por fim, retrata a reforma como tema de personalidades. Parece mais revista de fofoca. Apresenta mais pessoas do que fatos. Preocupa-se mais com a roupa e com a comida do presidente do que com as importantes manobras e barganhas políticas.
Pode-se afirmar que o povo é o que sua mídia apresenta. Neste aspecto a população brasileira é apenas confusão, não tendo noção alguma do importante processo de desenvolvimento que está ocorrendo no País.
Como não existe cobrança da parte do leitor para se possuir uma melhor cobertura dos fatos, os jornais e revistas continuam sem apresentar dados relevantes. Talvez seja porque nem eles mesmos conseguem compreender o que é uma reforma providenciaria e tributária. Acho que necessitamos de uma reforma na mídia.
criação: lisandro staut |
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