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Idéias
pré-concebidas
Vanessa Candia
Preconceito, segundo o Aurélio, tem como conceito principal uma idéia pré-concebida. No Houaiss é a opinião ou sentimento (também) pré-concebido formado sem conhecimento suficiente. Uma idéia pré-concebida pode ser adquirida por uma pessoa precipitada. Precipitado, no Aurélio, é atribuído a alguém que não reflete, não pensa. Enfim, uma pessoa ignorante. No entanto, esta última, por mais forte que possa parecer, indica apenas uma pessoa que desconhece certos fatos.
Nos meios de comunicação isso é algo comum. Qualquer assunto que gere um pouco de polêmica é preconceituoso. Se colocarem matérias sobre negros na capa, como trouxe a
IstoÉ, com a chamada "Cor do Brasil" (21/1/04), e a Veja, "A classe média negra" (10/8/99) e " Do preconceito ao sucesso" (24/06/98), fazem um raio-x na matéria até conseguirem provar - devido ao pré-julgamento - que existe preconceito em algum lugar. Ou na frase, ou pela maneira que o modelo foi fotografado, enfim, algum preconceito vão encontrar. No entanto, olha a contradição, se nada é mencionado, ou nenhum modelo negro está embutido nas páginas, automaticamente são acusados de racistas.
Mas claro que não é somente com os negros que isso acontece. Normalmente, esse caso é
tomado como exemplo - assim como neste artigo - por ser uma realidade condizente ao nosso País. Mas a última "moda" é malhar os religiosos. Devido ao filme
Paixão de Cristo, do valente Mel Gibson, aumentou muito o conceito de que a mídia é preconceituosa. Vivemos em um País livre. Mas quando um jornalista expõe sua opinião sobre algo, e essa caminha no sentido oposto ao que a sociedade quer saber e ouvir, este é tachado como preconceituoso.
O berço de tantos "prés" está na faculdade. Lá dentro, na eterna briga entre teóricos e práticos, os primeiros gastam horas analisando o que pode estar incutido em determinada reportagem, capa, artigo, enfim. E esquecem de valorizar o que o repórter gastou horas, dias e meses fazendo: a reportagem. O que poderia ser um benefício se torna objeto de discussões inúteis.
Na campanha presidencial o que mais se discutia era sobre a duvidosa competência de Lula para assumir o cargo de presidente. Obviamente a mídia também abordou em seus textos e capas sobre o assunto. Quando Lula ganhou a eleição, muitos se voltaram para os veículos de comunicação, acusando-os de demonstrar preconceitos contra pessoas pobres, analfabetos e principalmente nordestinos. O brasileiro que não duvidou da capacidade de Lula que atire a primeira pedra. Muitas vezes a mídia - ao contrário do que muitos pensam - é um reflexo da sociedade.
Outro tema polêmico e contraditório se relaciona com os homossexuais. Atualmente é um assunto muito abordado na mídia. Revistas conceituadas como
Veja, que trouxeram na capa reportagem intituladas "A força do arco-íris" (25/4/03);
Cult (fevereiro/2003), "Literatura Gay"; e Caros Amigos (edição 84), a matéria de Aníbal Guimarães "narra os percalços da luta dos homossexuais", tratam da polêmica sem demonstrar preconceito algum.
Se fosse possível ao público presenciar uma reunião de pauta, um fechamento ou uma simples visita a um veículo de comunicação, colocaria fim a tanto pré-julgamento. Pois veriam, ao olhar para os profissionais, que estes não possuem feições maquiavélicas pensando, o tempo todo, quem será a próxima vítima. O que realmente interessa é informar.
O verdadeiro problema de tanta opinião equivocada - para não dizer pré-concebida novamente - é que as pessoas estão armadas o tempo todo, como se estivessem em uma guerrilha em que a qualquer momento podem ser atingidas. Poderia dizer que isso é parte de uma sociedade pós-moderna no qual estereótipos fazem com que as pessoas se tornem críticas. Ignorantes, no entanto. Mas isso poderia soar preconceito. Afinal, o preconceito não está nas mãos de quem escreve, mas nos olhos de quem lê.
criação: lisandro staut |
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