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Mídia
neutra
Delton Unglaub
Neste exato momento você pode ter formado uma opinião sobre este artigo apenas lendo o título. Isto se chama
preconceito. Uma opinião formada sem reflexão. O ser humano tem a tendência natural de prejulgar. Portanto, quando se analisa a mídia é natural que ela também seja preconceituosa.
No momento que se fala em preconceito, logo se associa com discriminação racial. No entanto, existem inúmeros tipos de preconceito, por exemplo, o preconceito contra mulher, idosos, loiras, homossexuais, gordos, estrangeiros e religião. Todos são explorados diariamente pelos veículos de comunicação, nas mais variadas formas.
Na novela vemos a neta tratando mal os avós; no programa humorístico o pai dizendo "onde foi que eu errei" referindo-se ao filho gay; no jornal a guerra entre um país cristão contra um país mulçumano; nas revistas as fotos das modelos magras e "perfeitas"; até na publicidade uma campanha foi alvo de muitas críticas por abordar o preconceito. Em 1990, a Benetton mostrou vários tipos de preconceito dentre eles, uma mulher negra amamentando uma criança branca.
Mas o tipo de preconceito que esteve em pauta foi o religioso. Este causou grande repercussão após o lançamento do filme
A Paixão de Cristo, de Mel Gibson. O longa metragem foi baseado nos evangelhos bíblicos e nas pesquisas do ator. O filme
retrata as últimas 12 horas antes de Jesus ser crucificado. Ou seja, como Cristo foi "cruelmente assassinado" pelos judeus.
A polêmica está justamente nessas acusações e protestos, que já existiam antes do roteiro estar pronto, por líderes e ativistas judeus. Eles afirmam que há uma incitação de anti-semitismo
implícita no filme. Mesmo com tantas polêmicas, foi um sucesso.
O filme foi planejado para ser lançado exatamente na época da páscoa para que as pessoas já estivessem abertas para este assunto. Um prato cheio para a mídia. As opiniões e idéias da massa são feitas por meio da televisão e do rádio. Então, neles a repercussão foi mais "neutra", talvez por causa de seu formato que permite poucos comentaristas.
A imprensa escrita não alcança número expressivo de leitores no Brasil. Nos principais jornais e revistas do país o filme foi apresentado com uma visão crítica. A visão transmitida nos comentários deveria ser imparcial, mas variou do ponto de vista de cada comentarista. E, a internet é um espaço democrático, quase anárquico, de comunicação global, mas possui um universo de usuários restrito. Neste meio percebemos que ocorreu o contrário da TV. Na rede mundial as críticas foram feitas por uma infinidade de comentaristas anônimos e opiniões apenas baseadas na individualidade.
Na mídia o preconceito sempre foi e sempre será notícia. Exemplo disso é o caso do
Jornal Nacional, da Rede Globo, em novembro de 2002 que teve pela primeira vez um apresentador negro, o repórter Heraldo Pereira. O fato interessante é que segundo a emissora, eles "prepararam" o público para ver Pereira como apresentador. O fato rendeu notícias em vários veículos.
A influência dos meios de comunicação na massa é evidente, principalmente a mídia eletrônica. Aqueles que detêm seu controle são responsáveis pela difusão de opiniões, hábitos e preconceitos e não temos como fugir desta dura realidade. Portanto, em sua tentativa de alcançar a neutralidade, a mídia é preconceituosa.
criação: lisandro staut |
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