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Olhos artísticos, visão jornalística

Vanessa Candia

Teatros, cinema, balé, música, livros, artes plásticas, e outras áreas culturais fazem parte da vida do jornalista que ingressa na área do jornalismo cultural. Cabe a esse profissional a "penosa função" de estar atualizado em todos eventos culturais. 

Essa fatia do mercado, que antes era bem pequena, está aumentando a cada dia que passa. Cada vez mais profissionais estão "caindo" para esse segmento. E não apenas profissionais, mas grandes empresas de comunicação também estão investindo na área, como é o caso da tão falada transição da revista Bravo! para Editora Abril.
Outras revistas também estão surgindo como a Possível e a Revista V.

Mas ser um crítico de cultura exige uma bagagem um pouco pesada. Um conhecimento amplo de todas as facetas culturais. Quanto maior o conhecimento, maior a credibilidade, mais liberdade para expor sua verdadeira opinião sobre o assunto. 

Pois, é evidente que muitos críticos se tornam tendenciosos. Alguns devido ao veículo em que trabalham ficam limitados - para não dizer manipulados - a critica referente a determinado livro, por exemplo. Poucos são os veículos que permitem que seus "comentaristas comentem" realmente o que pensam. 

Alguns programas como Vitrine, Metrópolis e, pasmem A Casa é Sua, injetam pequenas doses em seus telespectadores. Alguns periódicos como Bravo!, Cult e o caderno Mais! da Folha também fazem parte do tratamento. Ao que parece, os articulistas de tais meios são verdadeiros críticos de arte. Conhecem, pesquisam, estudam o conteúdo a ser analisados. Basta observar seus leitores. Lêem, param. Lêem novamente. Pensam, refletem. Alguns até se dão ao luxo de filosofar. Outros passam horas, dias, "digerindo" o que foi acrescentado.

Ser um "jornalista-crítico cultural" é ser um pensador, um filósofo. É olhar a arte não somente pela arte. Mas olhar a arte com olhos de artista, não esquecendo dos olhos de jornalista. É ter a sensibilidade de criticar sem se tornar tendencioso. Deixar que o leitor julgue ser a arte boa ou má. Não é, como muitos pensam, uma vida de boêmios que vivem envolvidos no mundo dos filmes e da boa música. É preciso muito estudo e leitura. Muita mesmo. 

                   

criação: lisandro staut