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Ranking histórico

Muitos perguntam quais jornalistas formariam o melhor time de todos os tempos. Difícil responder, mesmo porque geraria polêmica qualquer tentativa de se eleger os onze homens da imprensa.

A revista Imprensa foi audaz e indicou Cláudio Weber Abramo, Alberto Dines e Mino Carta para o pódio. Já a revista IstoÉ convidou um grupo de respeito para a comissão julgadora escolher o comunicador do século XX, cujo resultado pode ser considerado interessante, apesar das discordâncias. O animador Abelardo Barbosa, Chacrinha, venceu com um ponto acima de Samuel Wainer e Mino Carta. Na lista de trinta nomes aparecem ainda Abramo e Dines com Assis Chateaubriand, Roberto Marinho, Paulo Francis, Senor Abravanel (Sílvio Santos), Millôr Fernandes, Barbosa Lima Sobrinho, Victor Civita e uma constelação de profissionais da comunicação.

Detalhe mais que curioso: Abramo, Dines, Carta, Wainer, Abravanel e Civita são de ascendência judaica. Antes de entrar numa redação, Dines chegou a participar do Movimento Socialista Sionista, trabalhando durante um ano como tratorista em um kibutz na região de Jundiaí, interior de São Paulo.

Abramo, mentor das transformações ocorridas em O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo, era reconhecido pela fidalguia, sarcasmo, moralismo, autodidatismo e espírito destemperado. Facilmente perdia a compostura e partia para os ataques verbais. Na Folha, jogava o jornal sobre a mesa e dizia ser este uma porcaria cujo conteúdo ele jamais leria. Depois, atirava o The New York Times ao lado e o descrevia como o melhor do mundo, modelo para todos da redação. O Times continua sob a tutela dos Ochs-Sulzberger, famílias de judeus americanos.

Os gostos são duvidosos e as contradições são freqüentes. Comunista de carteirinha, Abramo externava elogios aos produtos da imprensa norte-americana. Paulo Francis não foi diferente. Comunista, na primeira chance de exílio, radicou-se em Nova York. Dines também passou por Nova York. Civita veio de lá e Carta é tão capitalista quanto todos os anteriores juntos foram algum dia. Em entrevista à revista Imprensa, deixou claro que não conseguiria sobreviver recebendo menos de cinco mil reais por mês.

Judeus com sangue capitalista, coração socialista, venceram o preconceito e os contratempos ideológicos, revelando grande talento e dom jornalístico e entrando para a história da imprensa nacional. Talvez daqui a poucas décadas, os pesquisadores se lembrem, do mesmo modo, de Boris Casoy (TV Record), Marcelo Rech (Zero Hora), Wilson Bueno (ex-O Nicolau), Ricardo Noblat (ex-Correio Braziliense), Silio Boccanera (Globo News), Luiz Geraldo Mazza (Folha de Londrina e CBN-Curitiba) e José Marques de Melo (USP e Umesp).

dargan_holdorf@hotmail.com



criação: lisandro staut