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Fronteira de três eras

Muitos já demonstram cansaço, para não escrever "saco cheio", de saber que o grande capital deste início de século é a informação. Entretanto, não basta ter informação; há necessidade de filtragem.

Dentre as habilidades necessárias citadas por Ramón Flecha e Iolanda Tortajada, professores da Universidade de Barcelona, no artigo "A Educação no Século XXI", destacam-se as capacidades de selecionar e processar a informação, de decisão diante dos problemas, de ser flexível em momentos difíceis e de trabalhar em equipe. Estas características conduzem à formação de uma sociedade plural e reflexiva. As conseqüências se apresentam, bem visíveis, criando um dualismo na informação, separando os que sabem dos que não sabem.

Considerada como o quarto setor, a informação se qualifica como matéria-prima básica do sistema econômico contemporâneo. Tal fator se justifica com a existência de mais de dois bilhões de páginas na internet e a incorporação diária de outras três milhões e 300 mil à rede mundial, tornando insana qualquer tentativa de domínio do assunto. Pode-se afirmar que se perdeu a capacidade de controlar a demanda da informação. Trata-se de uma tecnologia cuja máquina não tem como ser desligada.

Ninguém é obrigado a entrar na internet, mas muitos querem e não conseguem, gerando o desejo de informação. Segundo Richard Wurman, a Organização Mundial da Saúde catalogou a "ansiedade de informação" como doença, exteriorizando a gravidade da situação gerada. No Brasil, menos de 20 milhões de pessoas acessam à rede. Portanto, a legião de excluídos comprova uma realidade sem volta.

Mas há visionários profetizando o fim da Era da Informação e o início da Era dos Biomateriais ou dos Materiais Inteligentes, e a probabilidade da existência da Era do Edutenimento em seguida. Este termo, apontado por Richard Oliver, foi cunhado para designar a reunião das indústrias do entretenimento e da educação. 

Entenda-se isso como o amálgama das poderosas empresas da informação, de games e entretenimentos, e das instituições de ensino sobreviventes. Sua previsão se projeta para meados deste século. 

Contudo, a velocidade da informação e do aperfeiçoamento tecnológico poderá antecipá-la. Os detentores e prováveis gestores deste novo período imaginam conduzir a infra-estrutura global de comunicação implantando uma "realidade de segunda mão", criando etnias eletrônicas, ou como definem, a "era do tribalismo eletrônico".

dargan_holdorf@hotmail.com



criação: lisandro staut