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Canal
da Imprensa,
tribuna de reflexão e debate
Contrariando
pesquisadores como Philippe Perrenoud e Donald Schön, o ex-diretor de
redação do Correio Braziliense, Ricardo Noblat, não concorda com
a possibilidade de o aluno refletir sobre sua prática, encorajado pelo
professor. Sua visão limitada ao pragmatismo provoca empecilho ao
desenvolvimento da intuição.
Perrenoud admite a necessidade de se encontrar meios adequados para a ação
pedagógica. Ao detectar a insuficiência da imersão em sala,
reconhece-se que as aulas teóricas não são suficientes para uma formação
acadêmica unilateral. Mário Erbolato referenda a necessidade do
aprendizado teórico, mas não dispensa de forma alguma a oportunidade do
estágio em qualquer veículo.
Se as empresas de comunicação têm a obrigação de investir nos seus
profissionais, muito mais as instituições de ensino superior. Estas
devem aplicar recursos na qualificação acadêmica e profissional dos
estudantes de jornalismo, defende Noblat. Daí, a imprescindível presença
da revista Canal da Imprensa como ferramenta promotora da reflexão
e prática jornalística.
Não sendo suficiente apenas a simples graduação, o doutor Hélio Schuch,
da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), considera a experiência
ou prática de mercado como o reforço do período profissionalizante,
tornando-se medíocre se mal direcionada.
Ao
receberem a oportunidade de crescimento, revertendo-o em forma de
aprendizado e trabalho, tanto professores como alunos serão moldados sem
a ameaça da concorrência.
Gay Talese, do New York Times, acredita que os mais experientes
detectam nos jovens algo de si mesmos e, assim, os auxiliam a ascender
profissionalmente. No caso de optarem por um posicionamento reflexivo,
Perrenoud julga positivos os resultados da formação alternada. Ele
explica que essa inserção ajudará a livrar os alunos de tarefas
receitadas de antemão, barreiras inibidoras da criatividade latente.
As redações multimídias ainda são novidade no contexto jornalístico.
Entretanto, esses ambientes podem estimular àqueles que gostam de
escrever sobre qualquer assunto, assevera Noblat. O melhor método de
aprendizagem, segundo Schön, é por meio do fazer, ensinando os
fundamentos da prática ética.
Opinião pluralista
A revista Canal da Imprensa vem sanar esse vazio existente nos
cursos de Jornalismo. Trata-se de um espaço para renovação da pauta,
surpreendendo os leitores com interpretações inéditas, antepondo-se à
ameaça de impedimento do pluralismo de opinião.
Os articulistas expressam seus pensamentos seguindo a linha temática.
Responsável pela reunião de pauta e elaboração do roteiro, o editor
orienta os redatores à pesquisa. As conclusões pessoais devem ser
respeitadas. No entanto, isso não evita a edição dos textos conforme
padrões de bom senso jornalístico, ético e lingüístico. Theodore
Bernstein, ex-professor da Universidade Columbia, defende o direito de se
editar todo e qualquer texto, inclusive os opinativos. De acordo com
Erbolato, o jornalismo opinativo pode resultar de reportagem de
profundidade, de natureza interpretativa.
Noblat sustenta a posição de não se oferecer espaço para neófitos no
jornalismo (leia-se focas) opinarem. Ele acha que os articulistas devem
envelhecer antes de querer opinar e, antes de tudo, acumular conhecimento
suficiente para o exercício da função. A experiência com o Canal da
Imprensa se demonstrou contrária à crença de Noblat. Nela, os
estudantes opinam, entrevistam, interpretam, filtram e processam a informação
com qualidade, não devendo nada aos mais experientes profissionais
atuantes no mercado, ressaltando-se, obviamente, as devidas proporções.
Com muita propriedade, neste primeiro ano da revista, os alunos discutiram
temas como os 500 anos de censura no Brasil; as relações entre o poder
político e a mídia; o sensacionalismo como falha grosseira da imprensa;
polemizaram a validade do lide na estrutura jornalística de redação;
deram voz mais uma vez à interminável guerra entre práticos e teóricos
do ensino no jornalismo; teceram com perícia um perfil do relacionamento
da mídia com os candidatos à Presidência da República; abriram a
caixa-preta da imprensa, trazendo à luz o poder subterrâneo do patronato
e dos bastidores da mídia; criticaram e enalteceram o uso dos meios de
comunicação pela religião; homenagearam as mulheres da imprensa
brasileira; mostraram o lado oculto do jornalismo na guerra e delinearam
como Jesus Cristo é tratado pela imprensa. Nas últimas semanas do
semestre passado, dissecaram os veículos afiliados ao império das
Organizações Globo, divagaram nas tendências futurísticas da comunicação
e analisaram o papel do jornalismo investigativo na sociedade.
Não se esquecendo da função social do jornalismo, aquela que existe
para servir, Noblat reforça a necessidade de se respeitar os elementos ou
princípios éticos, de acordo com valores consensuais, desde que não
ultrajem a liberdade de consciência e expressão, a igualdade e o
respeito aos direitos humanos. Não
há como negar a importância desse veículo online na configuração
e solidificação do próprio curso de Comunicação do Unasp.
A experiência do Canal alavancou o processo de reflexão,
envolvendo alunos, professores e profissionais da área. Diante desse
quadro de crescimento e parceria, a revista merece total apoio logístico
a fim de desbravar novas fronteiras. Afinal, comprovou sua viabilidade
como construtora de percursos formativos e tribuna de reflexão e debate.
dargan_holdorf@hotmail.com

criação: lisandro staut |
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