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Al-Jazeera da Selva

No frigir dos ovos, as baterias de guerra dos ianques podem muito bem se voltar contra o Brasil. Foi assim com Saddam e Bin Laden. Gerados pelo serviço secreto dos Estados Unidos, os monstros do Oriente receberam o descarte de seus criadores. 

A fim de chegar ao estágio atual, a Globo também contou com um auxílio extra de forças norte-americanas. Hoje se encontra em graça; amanhã tem a possibilidade de ser abandonada à própria sorte.

Não é novidade o ódio dos estadunidenses a toda e qualquer crítica. Descontentes com as análises desfavoráveis quanto a sua atuação na queda de Saddam, os ianques partiram para cima dos críticos da "Globo do Deserto", os repórteres da TV Al-Jazeera, postados no Hotel Palestine, em Bagdá. (Leia-se "jaze-era" e não a anglófona prosódia "jazira".)

Concorrente ideológica da CNN, a rede de televisão do Catar desafiou a máquina de guerra de Bush oferecendo ao telespectador outra versão do conflito. Entretanto, nem todos apreciam mais de uma interpretação. Principalmente uniformes verde-oliva. O espírito belicoso se demonstra inversamente proporcional ao crescimento cultural. Não suportando a avalanche de informações denunciativas, chega-se à conclusão de que o melhor caminho é sufocar imagens e palavras. Daí o bombardeio com mísseis ao reduto dos correspondentes.

Finalizada a covarde missão na Mesopotâmia, as baterias dos Estados Unidos se voltarão para outro inimigo, ex-afiliado. O Brasil da Amazônia com suas riquezas vegetais, minerais e aquáticas é alvo perfeito das ações do Norte. Aqui passeiam monstros criados por eles. Gigantes da comunicação a serviço dos mais vis interesses multinacionais. Que se cuide a "Al-Jazeera da Selva". 

dargan_holdorf@hotmail.com



criação: lisandro staut