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Luta contínua

A história da imprensa se conecta intimamente à luta pela liberdade de expressão. Desde a invenção dos tipos móveis, movimentos detentores do poder vigente nas diferentes épocas tentaram sufocar, pela ameaça ou pela força, o direito à crítica, denúncia, cobrança, exposição de verdades. Em muitos momentos a censura impossibilitou o debate público, inviabilizando a busca de soluções para o bem da comunidade.

Analisando pensadores marxistas, o professor Michael Kunczik, da Universidade Johannes Gutenberg, explica que a batalha pela autonomia de se expressar não é a luta pela liberdade de imprensa, mas o direito de todos os homens externarem o que sentem e pensam sobre todo e qualquer assunto. Este direito inalienável foi referendado pelo artigo 11 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, na França, reforçado na 1.ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos e solidificado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, quando da criação da ONU. 

James Madison, um dos pioneiros da república norte-americana, considerava os governos sem imprensa livre o princípio da farsa e da tragédia. E esta afirmação não se tornou exclusiva dos poderes públicos, podendo também ser aplicada a toda e qualquer instituição privada cerceadora da simples análise ou debate salutar. A própria imprensa brasileira é vítima de seus censores internos, postados nas redações como representantes de ideais bem-enraizados, longe do alcance popular. 

A ditadura ficou para trás, mas os ranços dela se perpetuaram. Ainda é possível perceber as seqüelas dos tempos em que a contestação se restringia a bastidores e subterrâneos. Volta e meia afloram ordens, mandos e desmandos sem princípio ou lógica. Pior que estresse, deadline, intempéries tecnológicas e cobranças, a censura se transformou na grande vilã do jornalismo sério, responsável, honesto e comprometido com os cidadãos. 

Aos jornalistas idealistas resta a contínua luta pela manutenção da liberdade de escrever, falar, ser lido, ouvido, interpretado e compreendido.

dargan_holdorf@hotmail.com



criação: lisandro staut e siloé joão