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Sob
nova direção
Quando se fala em 20 anos de democracia no Brasil é inevitável comemorar o fim do regime militar e o suposto extermínio do que ele mais representava para a imprensa: a censura. Sem dúvida alguma, duas décadas sem receitas de bolos e outras esquisitices mais nas revistas e jornais são motivos para dar alguns pulinhos com socos no ar - viva a democracia! Contudo, mesmo após a derrocada da ditadura, o reencontro com a democracia ainda parece distante e utópico. Existem coisas do passado que teimam em continuar. A luta contra uma imprensa independente é uma delas.
Mesmo após duas décadas de perseguição à imprensa livre, hoje se assistem a episódios tão ou mais revoltantes do que no passado. Hoje não há mais o Estado puxando as rédeas da informação, mas se vêem grandes conglomerados de mídia ou veículos que trocam o compromisso com a sociedade pela lógica do mercado.
Saem as receitas de bolo, entram as dicas de beleza, auto-ajuda e outras pautas, mas a censura continua - sob "nova direção", é claro. Enquanto as grandes pautas de interesse social estiverem perdendo espaço para o que hoje se julga ser a maior necessidade do cidadão, o
carpe diem, o reencontro com a democracia permanecerá distante. Enquanto a imprensa insistir em tratar o leitor como consumidor e não como cidadão, a luta pela democracia continua mesmo com o fim da ditadura.
Enquanto o embargo comercial tolher a autonomia da imprensa, nada de comemorar os vinte anos de democracia - e nada de pulinhos com socos no ar. Não há esperança alguma de real democracia sem um jornalismo disposto a dizer o que realmente acontece, o que realmente interessa, o que realmente contribui.
allannovaes@yahoo.com.br

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