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Conspiração
quase visível
Os fundamentos da democracia se abalam cada vez que o presidente dos Estados Unidos abre a boca. Cada atitude conspiratória de antigos e novos poderes assusta a imprensa. Com a morte de João Paulo II, o risco de um ultraconservador ou radical enrustido assumir o comando da "empresa" mais experiente do planeta aumenta sensivelmente. E o favorito não é nada mais, nada menos do que o alemão Joseph Ratzinger, prefeito para a Congregação da Doutrina da Fé, mais conhecida na História como Tribunal da Inquisição.
Já a imprensa brasileira tentar forçar a barra em prol da eleição do
cardeal Cláudio Hummes, de São Paulo.
No ano passado, João Paulo II mostrou as garras da Igreja Católica. Em sua homilia relacionada ao lançamento da mais recente bula, o papa considerou obrigatória a assistência às missas aos domingos para os não-católicos. Bem confirmou dom Lucas Moreira Neves, por ocasião da última visita de João Paulo II ao Brasil, em 1997, que "a Igreja (Católica) jamais cederá em ponto algum". Os outros é que terão de abrir mão de crenças individuais e se submeter a um poder maior, mundial e de tradição milenar. É a globalização religiosa que se avizinha sob o codinome de ecumenismo. Trata-se de mais um ataque à liberdade de consciência. Quem destacou o papel da Igreja foi o Jornal Nacional, cuja parcialidade antijornalística impediu a réplica dos protestantes, evangélicos, judeus, islâmicos, budistas e ateus, editando apenas o ponto de vista do Vaticano.
Em suas 50 razões para se observar os jornais, o doutor Rogério Christofoletti, da Univali e editor do
Monitor de Mídia, destaca que "os jornais ajudam a tecer o senso de realidade das pessoas e eles não podem reforçar preconceitos, ser discriminatórios ou avessos às diferenças"; "criticar os meios de comunicação é fazer valer a arena democrática dos diversos discursos. É fazer deles o terreno do plural, do pensamento que admite discordâncias". Durante a semana que passou, alguns setores da grande imprensa autodenominada "referência nacional" da "excelência jornalística", atéia e anti-religiosa (principalmente contrários aos protestantes e pentecostais), exageraram na dose de incentivo à concorrência religiosa pela disputa de fiéis e enalteceram as virtudes de candidatos conservadores. Será que essa imprensa irresponsável não imagina que uma das vítimas da "conspiração" poderá ser ela própria?
Referir-se aos protestantes e pentecostais (rotulados pejorativamente de evangélicos) como empecilhos ao avanço do catolicismo demonstra a venalidade da mídia e exterioriza as reais intenções dos "senhores de engenho" dos veículos de comunicação. Em vez de a imprensa quebrar barreiras, expurgando de vez os preconceitos, ela sedimenta o caminho de poderes antipáticos aos ditames da democracia e da liberdade de consciência. Tais atitudes contrariam o item "D" do décimo artigo do Código de Ética que proíbe os jornalistas de concordarem "com a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, políticos, religiosos, raciais, de sexo e de orientação sexual".
Em pleno dia de lembrança dos 175 anos da morte de Líbero Badaró volta
a pairar sobre os jornalistas brasileiros uma nuvem conspiratória movida
pelos poderes estabelecidos.
dargan_holdorf@hotmail.com

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