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Paradoxos
Com raras exceções, a imprensa da Grande Campinas parece não compartilhar do segundo maior PIB nacional, tampouco da prosperidade econômica da região.
Há duas realidades na maior cidade do interior de São Paulo: dois
jornais sérios e dezenas de extensões dos gabinetes públicos. Os casos mais notáveis se referem a duas poderosas empresas de comunicação, a
EPTV e a Rede Anhangüera de Comunicação (RAC), cujos veículos dominam o mercado jornalístico do interior paulista.
Ambas mantêm sob sua administração e orientação editorial não somente as maiores mídias, mas as melhores, cuja qualidade concorre perfeitamente com as de outras praças no País. É o caso dos periódicos
Correio Popular e Diário do Povo, da RAC, e a revista Terra da
Gente, a caçula do grupo da EPTV, o mais recente investimento deles.
No alvorecer deste milênio, a EPTV conseguiu uma façanha no contexto das emissoras afiliadas à
Rede Globo de Televisão. Ela alcançou o segundo lugar nacional em
faturamento, superando a própria sede carioca, permanecendo atrás apenas da
Globo paulistana.
Apesar dessa pujança, é muito pouco comparar a mídia da Grande Campinas com
a de outras regiões do Brasil. O fato de os diários da RAC não terem concorrentes diretos
pode lançar dúvidas a respeito do grau de comprometimento destes impressos com os meios políticos e empresariais
locais. Esta seria a primeira impressão para quem observa de longe, até
que, ao aproximar a lupa, folhear suas páginas, conhecer a história do
grupo, o inquiridor começa a visualizar os veículos da RAC sob novo
prisma. Em Campinas não existe monopólio. Simplesmente a RAC se
aproveita da ausência de qualquer competidor corajoso e à altura.
Se Campinas oferece espaço para pelo menos dois outros jornais, e isso não é aproveitado, o mesmo não se pode afirmar de Mogi Mirim e Limeira. Com menos de cem mil habitantes, Mogi assiste ao embate de dois pequenos, mas arrojados jornais,
O Impacto e A Comarca. Em Limeira, a Gazeta de Limeira e o
Jornal de Limeira se digladiam em busca de leitores e assinantes. Todavia, por mais que seus proprietários jurem
isenção, a fictícia imparcialidade, todas as mídias da macrorregião se aliam com prefeituras e associações comerciais, obstruindo o exercício de um jornalismo compromissado com a sociedade. Tal assertiva se origina da possibilidade de se detectar elementos nas entrelinhas apontando para tal conclusão.
Enquanto isso, os demais jornais, cuja periodicidade varia de acordo com os recursos financeiros e a área de abrangência, podem ser trissemanais, bissemanais, semanais ou quinzenais. Nesse nível, os impressos se reduzem a meros reprodutores de
releases de assessorias de órgãos públicos, motivo mais que suficiente para prefeitos e vereadores festejarem a falta de
policiamento de ações. Assim, escancara-se uma porta para os poderes constituídos e eleitos pelo povo implantarem um reduzidíssimo
(às vezes, inexistente) regime de
transparência, extensão dos antigos tentáculos dos descendentes de oligarcas do café e
jagunços de plantão.
dargan_holdorf@hotmail.com

criação: lisandro staut |
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