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Culpa da imprensa
A ruína da democracia e suas conseqüências para a liberdade de expressão
indicam o principal responsável desse flagelo: a imprensa
norte-americana. Desde que a média se tornou num poderoso
instrumento de mudanças, a sociedade sentiu o gosto pelo progresso e a
participação nos destinos políticos. O papel desempenhado pela imprensa
nos Estados Unidos contribuiu para a solidez do processo de globalização
da cultura deles.
Muitos consideram a globalização como fachada de imposições
imperialistas. Depende da maneira como se usam os elementos benéficos e
adaptáveis a cada realidade. Devem-se considerar, entretanto, as
dificuldades determinadas pela própria média norte-americana àqueles
que tendem a se tornar independentes do guarda-chuva imperial.
Essa dialética de forças disputando e tentando validar conceitos políticos,
econômicos, filosóficos e culturais alimenta cada vez mais a antipatia
pelos valores estadunidenses. Segundo James Fallows, em "Detonando a
Notícia - Como a Mídia Corrói a Democracia Americana", o
jornalismo se tornou arrogante, para não dizer repugnante. Bill Kovach e
Tom Rosenstiel, em "Os Elementos do Jornalismo - O que os Jornalistas
Devem Saber e o Público Exigir", acusam a imprensa dos Estados
Unidos pela desilusão pública nas mais tradicionais instituições do país.
De acordo com as últimas pesquisas a respeito do número de leitores e
telespectadores nos Estados Unidos, a cada ano diminui a circulação de
periódicos e a assistência a telejornais. Até parece que eles boicotam
silenciosamente a média.
Um dos mais evidentes exemplos do que os norte-americanos odeiam se
estampa no apresentador Mike Wallace, no programa "60 Minutes"
da CBS. As características opinativas da imprensa deles causam
repulsa nos leitores e telespectadores. Eles detestam o estabelecimento
obrigatório de opiniões preconcebidas. A opinião enlatada afasta o público
da discussão dos problemas nacionais. Trata-se de um aspecto bem
diferente das características brasileiras, onde a massa opta pelos
produtos da média já industrializados, não se dando ao trabalho
de refletir e questionar.
Não são poucos os analistas que vaticinam o fim da democracia nos
Estados Unidos e seus extensos prejuízos para a política mundial. Tanto
os jornalistas norte-americanos Kovach e Rosenstiel como o francês
Thierry Meyssan prevêem a derrocada da democracia por culpa e incompetência
da imprensa.
dargan_holdorf@hotmail.com

criação: lisandro staut |
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