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Fora, senhores de engenho!

Você deve achar que a revista Canal da Imprensa critica demais o governo e a mídia. Mas alguém tem de colocar a boca no trombone. Não dá para se calar diante dos senhores de engenho. Ou a sociedade se une e grita aos quatro cantos do planeta ou vai parar no tronco. 

Toda proposta sempre é bem-vinda, principalmente quando se refere à educação. Contudo, a sugestão da reforma universitária criando um ciclo básico de dois anos a todos os cursos é uma aberração. Trata-se da maior falta de noção do que é educação e do que o País necessita em termos acadêmicos. 

Os cursos superiores têm de receber liberdade de desenvolvimento e de criação curricular. O Ministério da Educação tem de reformar é o fracassado ensino médio, etapa totalmente inútil da educação nacional. O segundo ciclo da educação brasileira não ensina nada, é uma verdadeira perda de tempo, uma piada. Se o MEC e as Secretarias Estaduais de Educação reformassem o ensino médio, aí sim o futuro universitário teria condições de escolher sua carreira. 

A Universidade Federal de Minas Gerais tem um ciclo básico de um semestre. Todavia, recheado de problemas. Há uma ruptura no sistema. Não há qualquer conexão entre os ciclos básico e profissionalizante. Isso provoca aquela discussão sem fim entre teóricos e práticos. E depois as universidades é que se encontram sucateadas, defasadas. 

As universidades precisam respirar. Precisam de urgente liberdade para colocar à mostra seus projetos. Não podem sofrer a constante interferência de elementos políticos e ideológicos. A sociedade tem de impedir que os tataranetos dos senhores de engenho transformem este País num grande canavial. Tenha pena dos seus lombos, leitor!


dargan_holdorf@hotmail.com



criação: lisandro staut