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Estelionato ético

O uso de artifícios duvidosos e estratagemas demagogos para se alcançar o apoio de alguém ou de uma instituição parece ser a principal arma dos políticos. Ou, pelo menos, era uma atitude exclusiva da classe parlamentar. É notório que comunicadores, jornalistas, publicitários e relações públicas se especializam cada vez mais na arte do estelionato ético. Um acinte contra o cidadão.

É possível contemplar essas deturpações morais em eventos, editoriais, artigos assinados, promoções, homenagens e premiações. A bajulação se transformou numa arma de manutenção e solidificação do poder vigente. Se você não afagar àqueles que fazem parte de seu círculo profissional, sua carreira estará fadada ao fracasso. Os vagões poderão descarrilar a qualquer momento.

Está se tornando moda o desprezo pelas pessoas que deitam falação contra tudo e todos. Há modos e ocasiões próprias para se criticar. Às vezes, o silêncio bem-aplicado se mostra mais prudente. Aqueles que "criticam" os "virulentos" desejam apenas afastar qualquer possibilidade e risco da exposição de sua vida desregrada diante da massa. Não se trata necessariamente da condenação à falta de ética, mas uma proteção ao estamento social predominante no País.

A lisonja servil, criada pelos marqueteiros de plantão, faz escola na mídia nacional. O crescimento das instituições formadoras de profissionais é inversamente proporcional à qualidade empregada por estes na prática, no mercado, na comunidade. Seria isso o resultado de um ensino de má qualidade ou da própria ausência de um ambiente que propicie liberdade de criação e ação? Como exigir qualidade e ética dos meios de comunicação se eles se encontram sob o controle de políticos e os demais sob a mira do capital e do Estado?

Dentro da linha editorial delineada para esta revista, proíbe-se o proselitismo político e religioso. Contudo, não se determinou o expurgo de campanhas de cunho filosófico. Desde o aniversário de dois anos, Canal da Imprensa se obriga a conclamar a classe jornalística e acadêmica a levantar bandeira contra a imposição de um conselho federal. Muitos dos defensores da criação dessa entidade vivem de afagar o ego da Presidência da República e de seu guru-mor, o ministro da Casa Civil, José Dirceu, amiguinho de ditadores. Há jornalistas às pencas, simpatizantes da violação das liberdades básicas, desde que recebam cargos públicos e favores impensáveis a profissionais da imprensa.

Se a adulação promovida por jornalistas significa se conservar no poder e tentar projetar a carreira atropelando colegas e a todos os que se coloquem à frente, por outro lado, uma postura ética, em defesa da liberdade de expressão e consciência, e o combate incansável e incessante aos "bandidos" midiáticos, poderão salvaguardar a decência profissional por mais algum tempo.


dargan_holdorf@hotmail.com



criação: lisandro staut