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De mãos dadas

Não há um diretor de redação que tenha poderes de se esquivar dos tentáculos do capital e da política. Mais terrível do que o lóbi parlamentar no ambiente da mídia, só os representantes da indústria, comércio e serviços. Ou seja, as agências de publicidade e propaganda.

No mundo acadêmico, a disputa insana por espaço entre pragmáticos e teóricos desvirtuou o foco de preparo dos futuros profissionais, a fim de estes enfrentarem as ingerências das diretorias comerciais e de publicidade dos veículos da imprensa. Mal-preparado, o estudante de Jornalismo vai ao mercado imaginando que sua atuação em um jornal, revista, emissora de rádio ou tevê, não sofrerá em momento algum qualquer tipo de interferência extra-redação. Pobre ilusão!

Quando a publicidade não furta o espaço normalmente dedicado às reportagens ou artigos, ela consegue se infiltrar nas entrelinhas destes, seja por conivência da direção, ou por esperteza malandra de um repórter ou editor. E isso não é tão fácil assim. O jornalista precisa de muita cancha para abusar da empresa em que atua.

Durante a produção jornalística as ordens chegam de roldão, muitas vezes sem se conhecer sua origem e os motivos implicados. Simplesmente o jornalista tem de acatar a solicitação imperativa ou colocar em risco seu cargo e, quem sabe, o emprego. Se o jornalista considera altamente sufocante a pressão exercida pela chefia ao lhe cobrar uma apuração de qualidade, rapidez na produção e fechamento antes do deadline, pior ainda a coação suportada pela direção do veículo.

Ao jornalista, repórter, editor, ou redator, resta cumprir com suas obrigações e tarefas impostas. A não ser que a efetivação delas se coloque em posição antagônica à ética particular ou profissional. Quem se posiciona entre a linha política - e editorial - e os interesses do mercado e da política vigente é a direção, a chefia de redação. O rojão sempre cairá sobre suas mesas ou em cima deles próprios.

Em suma, é inútil a resistência dos jornalistas à ação da publicidade. Esta depende das empresas jornalísticas para expor suas campanhas e o jornalismo depende da publicidade para sobreviver e militar na sociedade. Ambos podem e devem realizar com dignidade um trabalho ímpar com vistas ao desenvolvimento social.

dargan_holdorf@hotmail.com



criação: lisandro staut