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Arte
nativa
Jornalismo literário poderia ser definido como a arte de contar histórias. E isso o brasileiro tem de sobra. Afinal, essa sopa cultural mesclada pelas origens européia, africana e indígena
sul-americana com suas nuances, começa a revelar ao mundo a capacidade jornalística investigativa nacional.
Unindo o já consagrado terreno pisado por nomes como José de Alencar, Machado de Assis, Graciliano Ramos e Carlos Drummond de Andrade, há menos de uma década as livrarias vendem dezenas de títulos, cujos autores são jornalistas. Uma novidade, quase impensada anos atrás, em termos de Brasil.
Esse boom de livros-reportagem e do amálgama entre jornalismo e literatura polariza cada vez mais a atenção do público leitor. Se a imprensa se recusa a apurar, conferir, denunciar, criticar,
analisar os fatos, indivíduos públicos e instituições, apesar dos quase vinte anos de democratização, então algo ocorre de errado nas redações do País e a saída descoberta por muitos jornalistas está sendo a produção literária.
Durante séculos sofremos a influência da literatura européia, mais especificamente da francesa e da inglesa. Depois vieram os ianques e introduziram a tal da "objetividade" jornalística, uma bobagem ainda muito discutida em sala de aula e motivo de "rinhas" entre alunos e professores e entre práticos e teóricos. Todavia, a realidade revela o retorno do jornalismo brasileiro às origens, com características mais literárias, aperfeiçoadas pela arte nativa.
O jornalismo literário pode se tornar uma porta para grandes reportagens ou, em caso de
supremo cerceamento e possíveis retaliações, uma alternativa para o jornalismo ficcional. Com criatividade, esse continuará a ser o melhor campo de atuação e laboratório para o exercício jornalístico.
dargan_holdorf@hotmail.com

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