editorial | ombudsman | debate | imprensa
mídia | cultura | perfil | nostalgia | opinião
  em tempo | olho vivo | leitor | e-mail | expediente
anteriores | próximas edições | inicial

Vagas limitadas

Se algum estudante de Jornalismo ainda sonhava com um emprego garantido no Jornal Nacional assim que recebesse o diploma, a leitura da presente edição do Canal da Imprensa irá dissipar essa ilusão. A menos que o candidato a jornalista esteja ligado a laços nepotistas, o mercado de trabalho não é tão cor-de-rosa como este gostaria que fosse.

Não bastasse o número assustador de exonerações da grande imprensa - mais de quinhentas só em 2002 -, a péssima remuneração aflige os futuros jornalistas. Segundo Nelson Werneck Sodré, em História da Imprensa no Brasil, "em 1944, o salário de um redator era cinco vezes o salário mínimo; em 1957, era duas vezes esse mínimo". Conforme o historiador, tal rebaixamento resultou diretamente do declínio intelectual dos homens de letras e da banalização da profissão.

Paciência. Ainda há razões para concluir seu curso. Quem disse que bom jornalista é só aquele que trabalha na grande imprensa? Existem outros postos de trabalho disponíveis. Além do jornalismo segmentado, delineiam-se cargos em folhetos, revistas e documentários alternativos, os house organs, bem como vantajosas posições em assessoria de imprensa. Em termos salariais, comemore, pode ser mais vantajoso do que os empregos comumente cobiçados.

Uma segunda leitura dessa crise denota vantagem aos candidatos talentosos. Se a imprensa está em decadência, a saída óbvia é apostar em bom conteúdo. Os barões da mídia sabem que bom jornalismo não se faz em salas com ar-condicionado; pelo contrário, é produzido nas ruas, com jornalistas competentes.

Conclui-se que quem é bom, acabará encontrando seu espaço. Para os estudantes, o momento é de preparo extra e especialização. A penetração no mercado está difícil, mas não impossível. Ainda que as vagas estejam limitadas.

fmtnews@hotmail.com



criação: lisandro staut