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Pague para ser, lute para viver

Quem já assistiu ao filme Pague para Entrar, Reze para Sair, entenderá melhor as linhas abaixo. Um grupo de jovens resolve ir a um parque de diversões com a intenção de permanecer a noite toda nas instalações do trem-fantasma. O que eles desconheciam era a presença de uma criatura anômala circulando no local, filha do proprietário. Esta fictícia aberração de homem e vaca cuidava justamente do brinquedo pretendido pelos quatro aventureiros.

Uma vez descobertos, perceberam que seria praticamente impossível saírem vivos do parque. O cara-de-vaca praticou as mais vis crueldades com os jovens, matando três deles. Jornalismo não é para aventureiros ou pretensos heróis de ocasião, tal qual Clark Kent. Jornalismo não é fantasia, tampouco teatro, como alguns teimam em reproduzir em suas emissoras de televisão.

O custo da formação é altíssimo. Afinal, isso demanda muita vontade, compromisso com a verdade, dilemas existenciais diante das tentativas de censura, domínio próprio, equilíbrio na execução de tarefas, renúncia da agenda particular, às vezes o isolamento, às vezes o trabalho em equipe. Tudo e mais outro tanto conduzem o jornalista ao pico do estresse. E é nesse instante que o profissional distorce a beleza da carreira protestando contra as injustas cobranças, a pressão da redação e da hierarquia superior, os baixos soldos e o pouco resultado no trabalho efetivado.

E as reclamações e lamúrias se iniciam ainda no período acadêmico. Nem todas as faculdades atendem às exigências de mercado ou fazem jus à mensalidade recebida dos estudantes. Não é o caso do curso de Jornalismo do Unasp, cujo projeto pedagógico prima pelo ensino de qualidade, valorizando tanto o preparo para as diversas mídias como para uma eventual incursão na esfera da pesquisa e titulação. Mas isso não significa um alívio em relação aos encargos assumidos. Pelo contrário, aqueles que almejam o top da satisfação e realização profissional devem valorizar a qualidade do tempo disponível para o desenvolvimento e aprimoramento técnico e intelectual.

Dormir pouco, alimentar-se fora de hora, estar com o cérebro em ebulição, imaginar a família abandonada, desculpar-se com mil e um compromissos adiados pela falta de tempo na agenda, viajar constantemente, sempre ouvir que o seu trabalho necessita melhorar e contemplar no espelho olheiras, cãs, rugas e dentes comprometidos, jamais devem ser motivo para o desespero. Não há outra profissão mais dinâmica do que esta. Nunca um dia será igual ao outro. O relato acima deve estimular o jornalista e, principalmente, quem ainda se encontra na faculdade, a organizar sua vida, fazer uma reengenharia pessoal. Aí, sim, vida longa aos competentes e espertos.


dargan_holdorf@hotmail.com



criação: lisandro staut