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Subserviente ao poder

A mídia é preconceituosa. Só o Estadão, a Folha, a Veja, a IstoÉ, a TV Cultura e Arnaldo Jabor enxergaram antijudaísmo, extrema violência e indescritível mau gosto no filme A Paixão de Cristo, de Mel Gibson. Somem-se a estes os discursos de fanáticos religiosos e céticos contumazes.

Nessa ocasião, verificou-se um dado interessante na incapacidade da imprensa diferenciar o termo antijudaísmo de anti-semitismo. Ao qualificar o filme de anti-semita, rotulava não só os judeus, mas também os povos árabes. Contudo, para os antigos protestantes, o tratamento dispensado pela mídia não é nenhuma novidade. Hoje, luteranos, batistas, metodistas, adventistas e presbiterianos são apelidados, pejorativamente, de "evangélicos", ficando no mesmo grupo dos ex-pentecostais, como se os católicos romanos não fossem tão evangélicos quanto aqueles.

Nas redações brasileiras e nos bancos das universidades se tornou praxe salientar como critério de isenção o fato de o jornalista não ter o direito de professar qualquer religião. Entretanto, ele pode ser católico, espírita, umbandista e judeu (desde que não pratique a ortodoxia), e mais chique e moderno se seguir conceitos orientais do budismo, taoísmo, confucionismo e xintoísmo.

Há tendenciosidade na mídia nacional quando apenas transmite os jogos do Corinthians e Palmeiras, ao rejeitar candidatos políticos fora do eixo Rio-São Paulo, ao destacar que unicamente as empresas jornalísticas desta megalópole podem se denominar "grande imprensa". 

Algumas características se evidenciam de modo claro e escancarado. A arrogância, petulância, boçalidade, incoerência, jogo de interesses, concorrência desleal e falta de dignidade delineiam o perfil do centro nervoso midiático do País. Os jornalistas se esquecem que sempre cobrirão o poder, jamais serão poder. O poder os usa a fim de aprofundar suas raízes. Hoje o poder agradece seus préstimos. Amanhã os expurga ao esquecimento.

dargan_holdorf@hotmail.com



criação: lisandro staut