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Canal:
ombudsman?
Na edição de 21 de agosto, o artigo
"Ombudsman dos ombudsman", do professor Ruben Holdorf, discute a atribuição do
ombudsman na tarefa jornalística. Como conclusão, a comparação do
Canal como "ombudsman do Observatório" (da Imprensa). Comentando o editorial, Marinilda Carvalho, editora assistente do
Observatório, afirma: "... quedei-me trêmula de curiosidade em conhecer as críticas ao
Observatório, conforme leio no artigo do Ruben! ("Se este [o
OI] se considera ombudsman da imprensa brasileira, logo, pode-se rotular a revista
Canal da Imprensa como ombudsman do Observatório...") Em contato há tanto tempo com vocês, nunca soube que o Canal da Imprensa é
ombudsman do Observatório!"
Opinião a ser esclarecida. Quem são os autores do Canal? Quais são seus referenciais? No local em que há "um fórum permanente onde os usuários da mídia - leitores, ouvintes e telespectadores -, organizados em associações desvinculadas do estabelecimento jornalístico, poderão manifestar-se e participar ativamente num processo no qual, até agora, desempenhavam o papel de agentes passivos?" No artigo, implicitamente, a qualificação de ombudsman
do OI é usado como um modelo para a prática dos educandos, como visão de liberdade sem libertinagem, coerência e seriedade. Não se teve a pretensão de ser "o único, correto, confiável" meio de debate. O artigo menciona o
OI como uma referência teórica a ser discutida e, enquanto modelo, a possibilidade de ser utilizada.
Perfil / Nostalgia
Marinilda questiona outros artigos: "... estupefata, leio esdrúxulas afirmações sobre Alberto Dines, editor responsável do
OI. Esdrúxulas por partirem de estudantes de Jornalismo, que são... estudantes de Jornalismo!" Segue, comentando que "jamais, em tempo algum, um estudante de Jornalismo, por mais genial que seja, tem o direito de proferir por sua própria conta uma afirmação dessas. Qualquer um que conheça um mínimo da história da imprensa brasileira sabe que a maturidade (e, pior, a mira!) do colunista era tamanha que atingiu poderosos, e a coluna foi detonada!".
Em Perfil, o artigo de Rômulo Gomes afirma que "o próprio Dines não tinha maturidade suficiente para criticar a mídia de forma ética". Katianne Jouguet, em Nostalgia, salienta que "a própria coluna não possuía lá grandes qualidades: Dines não tinha acesso a todos os jornais e telejornais, o conceito de
ombudsman ainda era fraco e o próprio autor não tinha a maturidade suficiente para exercer o
media criticism".
Porém, sobre esta época, Dines declarou que "o jornal não tinha tradição e eu não estava preparado para fazer a crítica científica". Ainda Dines, sobre a coluna "Jornal dos Jornais", na revista
Reescrita, da USP, ratifica: "O 'Jornal dos Jornais' tinha muitos erros. Era a crítica dentro do próprio veículo e estávamos na época da autocensura. Foi muito complicado. Eu estava sozinho, não tinha acesso a todos os jornais e não via todos os noticiários na televisão. Naquela época não havia o conceito de
ombudsman."
Em entrevista para a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Dines confirma novamente: "Eu faço a minha autocrítica. Cometi erros, eventualmente até injustiças, mas eu estava ali cobrando da imprensa o que ela estava deixando de cobrir em um período de
autocensura."
Para esclarecer, o editor-chefe do Canal, Fernando Torres, explica: "Li o comentário da Marinilda e achei suas críticas bem pertinentes." É dele o trecho que se segue.
"Com um pouco de conhecimento sobre a história do
ombudsman e dos críticos de mídia e a declaração acima, pode-se concluir que Dines realmente não tinha maturidade para assumir a função de
media criticism. Nada pessoal até aí. Ninguém o teria. Seria inocente pensar que Richard
Harwood, primeiro ombudsman do Washington Post o teria em sua estréia. Maturidade o jornal tem hoje.
Acontece que a leitura que se faz nos textos publicados pelo Canal causa a impressão de generalização, isto é, Dines não teria maturidade como jornalista. Essa não foi em nenhum momento a intenção, mas a crítica da Marinilda ajuda-nos a perceber que outras pessoas podem achar isso. Configura-se aqui um ruído da comunicação. Acredito que o correto seria inserir a declaração dada por ele no texto, ou explicitar em que sentido a maturidade foi utilizada."
O conceito de maturidade é subjetivo e não permite uma postura categórica. No texto, talvez as afirmações necessitassem de
uma citação entre aspas para diminuir a possibilidade de duas interpretações. Entendo que a afirmação foi malcolocada e a interpretação
distorcida.

Falta de Marinho
Na coluna "Olho Vivo", de autoria de Lísye Rizziolli, sobre a falta que o jornalista Roberto Marinho fará à Rede Globo, esqueceu-se um comentário sobre a afirmação "e nós também". No mínimo, o leitor concluirá que há afinidade pessoal entre o autor e a Globo. Fica a curiosidade. Estava lá. Hoje não está mais, por ordem do diretor de redação, que a considerou uma aberração.

Jogos Pan-Americanos
Na coluna "Em Tempo" gostei da objetividade pelo uso de comparativos, estatísticas e números na análise dos perfis adotados pelo
Estadão e Folha na cobertura dos Jogos Pan-Americanos. O
texto é de Neanis Lutzer.

América, Estados Unidos?
Uma contribuição para o título "Pioneirismo na América", de
Delton Unglaub: o leitor poderá entender que os pioneiros foram os holandeses no Nordeste do Brasil. O Brasil faz parte da América. Mas somente entenderá que a "América" significa "Estados Unidos" após ler a primeira frase. Ainda a respeito dos "norte-americanos", que pode significar qualquer país da América do Norte. Mas, ao usar o termo "estadunidense", teve-se a certeza; e é a palavra mais apropriada. Alguns dicionários bilíngüês inglês-português resumem o termo "american" como referência aos Estados Unidos, esquecendo da América do Norte, América Central e América do Sul, com seus povos e diversidades culturais.

Especial: retratos
Um comentário na conclusão sobre o termo "trailler", do texto de
Fernando Torres. No Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa é citado
"trailer". A grafia mais indicada, em inglês, é "thriller", significando romance policial ou filme emocionante, coisa ou pessoa que nos faz vibrar.
Por Clóvis Knoener
cknoener@hotmail.com
criação: lisandro staut
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