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quem dobrou-se Tim Lopes?
Parabéns ao autor do artigo "Tim Clark Kent Lopes". O material ficou muito bem escrito, com várias opiniões e argumentos bastante coerentes. Pessoalmente, não gosto muito dessa associação entre jornalista e super-herói. A sociedade muitas vezes atribui ao jornalista funções de polícia, o que é incabível. Nossa função é pública, não repressiva ou coercitiva. A repressão e a coerção acontecem, na verdade, na medida em que tornamos público aquilo que "alguém" tentava ocultar. Mas é preciso lembrar que nossa ação, ao contrário daquela da polícia, tem limites. Não podemos enfrentar tudo e todos, como se fossemos imortais. Isso transcende a função pública.
No caso especifico do Tim, acredito que ele foi imprudente nessa apuração: ele voltou a favela duas vezes. Não significa ser contra o jornalismo investigativo, de modo algum. Mas existem situações em que se deve ponderar o valor do que se está arriscando: a profissão, a saúde e a própria vida.
É preciso ainda lembrar que há alguém por trás do trabalho investigativo: o jornal, a revista, a empresa. E que eles deveriam dar ao repórter toda a salvaguarda para seu trabalho. Sabemos que isso não ocorre, e que o importante é o furo, a qualquer preço - inclusive o preço de uma vida. Por mais que o repórter queira prestar um serviço a sociedade, sabemos que a empresa tem objetivos bem menos nobres. Então, a pergunta é: por quem Tim morreu? Pela sociedade, pela própria vaidade ou pela Globo? Tendo a acreditar que pela última...
Mônica Silva, estudante de Jornalismo da Universidade de Brasília (UnB)
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(29/5/03)
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