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Ainda a Folha canhota (?)

Comentei numa edição passada a desconhecida Folha "canhota" do estudante de Jornalismo Alex Gonsalves. A minha discordância principal era sobre a afirmação do futuro colega de que a Folha de S. Paulo "é a favor do candidato de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva". Alex respondeu a minha indagação "Que Folha canhota?" citando a professora Maria Alice Faria, a quem respeito muito e de quem conheço as publicações.

Mas citarei meus mestres como referência bibliográfica e jornalística. Começo pelo jornalista Alberto Dines, em artigo neste site, com o título "Bate-Boca na Folha desvenda parcialidades": percebe-se que na redação do jornal a linguagem jornalística está mais para a da torre de Babel. Com o objetivo de enriquecer os conhecimentos do futuro colega, sugiro também a leitura do artigo do professor Bernardo Kucinski, "Folha de S.Paulo: Rabo preso com quem?". Talvez, como estudantes de Jornalismo, nós consigamos identificar o que prendeu o rabo do famoso jornal e possamos serrar. 

Sempre priorizando a informação como contribuição a nossa formação profissional, posso enviar-lhe o artigo do respeitado ombudsman da sua Folha "canhota", o jornalista Bernardo Ajzenberg, que encerra a coluna do dia 8/9 com os comentários: "Para um jornal que promete isenção no noticiário, os últimos dias – a apenas quatro semanas do pleito – registraram momentos infelizes, e não foram poucos. A Folha tem um capital de credibilidade acumulado a duras penas, ao longo de vários anos. Na reta final das eleições, ainda mais num quadro tão indefinido como o atual, tudo o que ela e seus eleitores necessitam é que esse capital não seja abalroado. Os exemplos aqui mencionados mostram que os riscos de isso acontecer existem, sim. Fechar os olhos para negá-los seria o pior caminho."

No mesmo dia enviei e-mail a Bernardo Ajzenberg, parabenizando-o pela clareza da coluna e pela aula sobre a função do ombudsman. Só por curiosidade, o título da mensagem: "O pior cego é aquele que não quer ver".

Não posso deixar de citar frase do grande mestre Mino Carta no livro sobre a vida de Cláudio Abramo: "A presença de profissionais competentes, de grandes jornalistas respeitados pelas redações atrapalha o sucesso do feudo e compromete os interesses de quem manda (...). A imprensa serve ao poder porque o integra." 

É a regra do jogo, futuro colega Alex, e quero cumprimentá-lo. Afinal, somos candidatos a foca, eu e você, e quem sabe em breve poderemos estar navegando por um desses mares da informação. Uma das principais características da nossa futura profissão é achar que podemos modificar o mundo, porque o jornalista, antes de tudo, é um inconformado. Todo indivíduo que adota esta profissão tem que ter uma dose de indignação. Não se conforma com a mentira, com a injustiça, com a desigualdade.

Quanto à insistência da Folha, que você chama de "canhota", em declarar sua "neutralidade", vou contar o que os romanos há séculos falavam da mulher do imperador: "Não basta à mulher de César ser honesta, ela tem que parecer honesta."

Celso Jardim, 4.º ano de Jornalismo (48 anos, formado em Biomedicina na Escola Paulista, com especialização em Patologia, há 25 anos).

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criação: lisandro staut