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Que Folha canhota?
Ao futuro colega Alex Gonsalves:
Acredito ser outra a sua Folha canhota, e não a Folha de S.Paulo que leio, pois não vejo nada de
posicionamento de esquerda. Pelo contrário, conforme mostram os gráficos da assessoria da campanha de Lula,
comandada por Carlos Tibúrcio e Bernardo Kucinski. E também não leu na mesma
Folha o alerta aos colegas de redação do ombudsman Bernardo
Ajzenberg, na edição do dia 8/9, na coluna com o título “Reta Final”.
"A Folha de S.Paulo tem um capítulo de credibilidade acumulado a duras penas",
comenta o ombudsman, e menciona que as manchetes facciosas sobre os candidatos
Lula e Ciro Gomes são muito claras. Acredito que o aluno Alex não fez direito o
dever de casa, não reparou nas suítes freqüentes, como a "PT sob suspeita", e
não deve ter notado a pauta sobre jornalismo de dossiês muito utilizado pela
Folha chapa-branca.
Na “Folha canhota” eu não li "Serra sob suspeita", no caso Sergio Ricardo e as
possíveis propinas da privatização da Vale do Rio Doce. Como também não notei
nenhum chapéu desfavorável ao candidato José Serra, o mais beneficiado na
exposição dos candidatos. Quero combinar com o futuro colega Alex de a gente ler
a mesma Folha.
Celso Jardim, estudante de
Jornalismo.
Réplica
Folha é canhota mesmo
Ao colega Celso Jardim,
É satisfatório para mim saber que nem todos os que leram meu artigo concordam comigo. Mas diante de suas argumentações acho pertinente esclarecer alguns pontos. Começo pedindo-lhe que leia novamente o que escrevi. Se ainda assim manter seu posicionamento prossiga esta leitura.
Infelizmente nós estamos sim falando da mesma Folha. E já que você esboçou seu desejo de ler comigo a mesma
Folha, vamos ler a do dia 15 de setembro de 2002, a mais recente. Se fizermos isso, vamos juntos perceber a tal tendência na manchete: "Especialidade do Governo Federal é
criar desemprego, afirma Lula". Podemos também, retornar a um dia anterior, 14 de setembro, e verificar os três primeiros títulos da sessão de política: 1.º "Na
escola de guerra, Lula muda discurso para agradar militares"; 2.º "Serra
omite empresa à Justiça Eleitoral"; 3º "Ciro afirma que Serra é inescrupuloso". Mesmo criticando Lula, perceba a amenização do primeiro título. Os dois últimos falam por si.
Sobre as referências a dossiês que você apresentou em sua crítica, é claro que por serem dossiês relatam fatos, e se esses são favoráveis ou não serão relatados como tal. Mas não me referi, em minha análise da
Folha de São Paulo à dossiês, mas às matérias, títulos, imagens, ou seja os elementos que compõem a diagramação do jornal. Em momento algum quis eu dizer que por ter um
posicionamento efetivamente de esquerda isto impede que se relate fatos negativos do candidato que se é favorável, ou positivos do candidato que se é desfavorável. No entanto a cobertura de tais fatos podem ser abrandados ou agravados, e é aí onde entra a questão do posicionamento do veículo.
Me causa surpresa um jornalista - pois suponho que por ter me chamado de futuro colega você é um jornalista - não ter percebido até hoje o posicionamento do jornal em análise. Ainda mais se declarando admirador do mesmo. Embora você
possivelmente desconsidere a opinião de um aluno de Jornalismo, posso lhe dar referências a profissionais de renome. Maria Alice Faria, professora da
Unesp, num capítulo de Letras e Comunicação (Editora Vozes, 2001) analisa manchetes e títulos no jornalismo impresso brasileiro. Nesta análise ela utiliza-se dos exemplos mais claros de posicionamentos na imprensa brasileira:
Folha de S. Paulo, de esquerda e Estado de S. Paulo, de direita. Como colega, sugiro a você que leia a matéria.
Quero relembrar ao colega o que você deve ter estudado na faculdade sobre análise comparada de veículos de comunicação. Se você aplicar essas comparações técnicas aos dois principais jornais de São Paulo
conseguirá ver claramente o que eu, ainda no terceiro ano de Jornalismo já havia percebido. No início é um pouco difícil perceber, pois nossa crítica não é muito aguçada, mas com a prática da análise, isto se torna cada vez mais fácil.
Espero que voltemos a conversar em breve. Um abraço a você e a todos os que
acessam o Canal.
Alex Gonsalves, pedagogo e
aluno do 3.º ano de Jornalismo.

criação: lisandro staut |
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