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Fim da liberdade de imprensa

A famosa liberdade de imprensa americana está seriamente ameaçada. Falar de censura na China, África ou Oriente Médio parece normal, mas não nos Estados Unidos. No entanto, oito jornalistas podem ser presos ainda este ano no país de “Tio Sam” por se recusarem a revelar fontes. A preservação de fontes é “preceito sagrado” no jornalismo e não só tem sido desrespeitada como é a essência desses casos de prisão. Jornalistas acreditam que, mesmo o governo não estando ligado diretamente com os casos, sua falta de transparência é, sem dúvida, o centro de toda a questão. 

Chineses defendem jornalismo 

Pesquisas feitas pelo Chinese Business View mostram que a população chinesa tem grande respeito e admiração pela profissão de jornalismo. Dos 4.446 entrevistados, 74% acreditam que a profissão proporciona crescimento cultural na população e que incentiva o patriotismo. Para esses, mesmo sendo uma das profissões mais perigosas no país, também é das mais admiráveis. Outros 90% acreditam no dever da criação de um órgão nacional que preserve a identidade física dos profissionais. Dos 1.476 jornalistas entrevistados, mais da metade já sofreu atentados durante o trabalho.

Corte de funcionários

Mark Thompson, diretor-geral da BBC, negou os boatos de que a rede demitirá metade dos 28 mil funcionários. Pela primeira vez a BBC falou do comentado corte de gastos oficialmente, mas afirmou que a demissão em massa nunca foi cogitada. Os boatos afirmam que isso ocorrerá para que a rede possa renovar sua concessão em 2006. Os sindicatos da área estão amedrontados e impacientes com a falta de informações reais. Também acreditam que pelo menos seis mil funcionários serão despedidos, sendo a maioria atuante no setor de entretenimento.

Fugindo da culpa

Os Estados Unidos negam responsabilidade sobre a morte dos jornalistas no Hotel Palestine, de Bagdá, que lhes foi atribuída por um relatório da organização Repórteres Sem Fronteiras. O ataque aconteceu em abril de 2003 e os americanos alegam que a culpa é estritamente do inimigo que optou por combater em uma cidade expondo assim civis à guerra. A organização RSF declarou estar “extremamente decepcionada” com a posição de indiferença assumida pelo país.

Emissora revoltada

A rede de TV por satélite Al Arabiya está indignada. Pelo quinto dia consecutivo, seu correspondente, Abdel Kader Al Saadi, foi preso pelo exército americano em Fallujah. O exército pediu desculpas e confirmou a quinta detenção. Alegou também que, nas cinco vezes, Al Saadi foi preso com “vários outros cidadãos”. A libertação do correspondente já está anunciada. A Al Arabiya pede que todas as organizações de defesa aos direitos humanos estejam dispostas a garantir a segurança do correspondente.

Censura cruel 

O Zimbábue quer mesmo assustar o mundo, pois está às vias de assinar uma emenda tornando obrigatório o registro profissional para se exercer jornalismo. Quem não se submeter à mudança pode ser condenado a dois anos de prisão com multa. Na lei vigente, estrangeiros não podem exercer a profissão, e esse acréscimo visa impedir que jornalistas estrangeiros trabalhem disfarçados de turistas. Os profissionais no país são muito maltratados e há dezenas presos injustamente. O ministro de Informação, Jonathan Moyo, afirma que "a prática do jornalismo poderia apresentar um perigo à liberdade se feita imprudentemente".

Fim de carreira

Pelo menos nove jornalistas iranianos de internet estão presos por apoiar a reforma do regime político no Irã. Esperam julgamento sem direito à fiança por fazer propaganda contra o estado islâmico, colocando em perigo a segurança nacional. A internet se transformou em refúgio para os que perderam emprego quando o governo fechou as instituições pró-reforma. Ainda assim, o regime tenta calar os reformistas que agem por e-mails e blogs, o que havia restado de liberdade de imprensa no país. Realmente, é o fim da carreira dos jornalistas iranianos.

              


Correspondente às avessas

Com a maioria dos correspondentes norte-americanos trabalhando dentro das forças militares do país, as mídias dos Estados Unidos estão tendo que recorrer aos iraquianos para conseguir informações sobre o “outro lado”. As redes conseguiram estabelecer uma pequena equipe de correspondentes iraquianos tentando manter a imparcialidade da cobertura. Os norte-americanos reconhecem que houve partidarismo na cobertura da invasão e essa medida visa corrigir esse tipo de erro. No entanto, é preciso cuidado na escolha do “correspondente”. A possibilidade de se cair em armadilhas é grande.

*por Andréia Moura