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Redentor da BBC

O resultado das entrevistas para o novo presidente da BBC já foi divulgado e aprovado sexta-feira, 2 de abril, pela rainha Elizabeth II. O nomeado para o cargo é Michael Grade que, segundo a ministra britânica da Cultura, Tessa Jowell, é "a pessoa correta" para presidir a BBC porque lutará pela "independência e integridade da cadeia". Grade já atuou como diretor executivo do Canal 4 da televisão do país e até ao momento presidia a Pinewood-Shepperton Limited, de cinema, como também a Camelot, operadora da loteria britânica. O novo presidente parece não necessitar muito dos convertidos 410 mil reais que receberá anualmente. Espera-se do carismático e experiente Grade uma restauração geral da imagem da BBC. Veremos.

Atenção ao jornalismo

Para alimentar a esperança de muitos, o secretário-executivo do Ministério das Comunicações anunciou dia 5/4 que o processo para a concessão das emissoras de rádio e TV será simplificado e essa ação terá início, no máximo, em 160 dias. Dois dias depois, o próprio Lula declarou que a criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ) passará brevemente a ser uma realidade. Tanta generosidade, o pobre desconfia. Serão somente promessas feitas no calor das comemorações do Dia do Jornalista?

Se deu mal, coitado

Afinal não foi tanto proveito assim: Jayson Blair, demitido do New York Times por fraude, e que, com isso, pretendeu se tornar uma figura pública, transformando as suas mentiras e distorções em best-seller, não obteve a vantagem que esperava. Dos 250 mil exemplares que pretendia vender como água, em nove dias, só mil e quatrocentos foram vendidos, forçando-o a cancelar a sua turnê promocional. A sua "obra de arte", "Burning Down My Master's House", foi considerada pela agência de notícias Planet Pop um fracasso "retumbante" de vendas nos Estados Unidos. O que parecia surgir como um novo estilo de vida, foi apagado pelo consumidor. Parece que ainda existe bom senso na população massificada. 

Vantagens do subdesenvolvimento

Dos 62 projetos de países em desenvolvimento escolhidos pela Unesco para serem patrocinados pelo seu Programa Internacional para o Desenvolvimento da Comunicação (PIDC), um deles foi o da Rede Brasileira para a Liberdade de Imprensa. O comunicado foi divulgado no encerramento da recente reunião do PIDC realizado em Paris. O projeto brasileiro foi auxiliado, com 25 mil dólares, tal como o da Mongólia, que recebeu 40 mil, e três do Afeganistão, que recebeu ao todo 117 mil dólares. Foi especialmente destacado na reunião que o desenvolvimento dos meios de comunicação nos países emergentes promovem o pluralismo e o bom governo.

Dispensados mais cedo?

Já em Brasília, fala-se de novo sobre a hipótese dos jornalistas voltarem a ter aposentadoria especial, por sugestão do deputado Carlos Nader, que até já tem um passado de “reivindicações” para os jornalistas. A proposta é que todos os jornalistas possam se aposentar provando apenas que trabalharam na área por 25 anos, no mínimo. A iniciativa teve a mesma resposta das anteriores vindas do mesmo deputado: a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) explodiu em críticas. Em suma, a Fenaj considera ridículo que o jornalista tenha vantagens quando a sua profissão não é de tanto risco para a vida e saúde como defende o deputado. A Fenaj “sugere” que em vez de reivindicações desnecessárias sejam melhoradas as condições de trabalho do profissional. Menos trabalho e as mesmas condições ou mais trabalho e condições melhores? Decidam logo que queremos continuar a trabalhar...

E a saúde lá vai indo

E parece mesmo que a saúde dos jornalistas não anda aquelas coisas: nos últimos dez dias, de 2 a 12 de abril, faleceram dois jornalistas de influência. Primeiro, Ari de Moraes, dia 2, apelidado de "Napoleão", faleceu aos 60 anos, vítima de câncer. Era conhecido como um dos maiores repórteres policiais de São Paulo. Sete dias depois morreu, de parada cardíaca, Maurício Pollari, diretor do Esportes da TV Record. E assim perdem-se amigos e profissionais. Talvez seja uma realidade que a saúde dos jornalistas não é lá das melhores.

Ataque à liberdade de imprensa

Na véspera (dia 12) do ano-novo nepalês, cerca de trinta jornalistas foram detidos ao participar de uma Marcha pela Paz, e libertados somente horas depois, pela intervenção da Federação de Jornalistas Nepaleses (FPN). Para o presidente da FPN, Tara Dahal, o governo infringiu os direitos democráticos na ação contra os jornalistas e acrescenta que foi "um ataque contra a liberdade de imprensa". Os protestos ao regime personalista do rei Gyanendra ocorrem cada vez com mais freqüência na capital do Nepal desde 1.º de abril, onde se deu o primeiro confronto da oposição, que resultou em cem feridos.

Contrastes do Pulitzer

Foram anunciados, dia 11, os vencedores do Prêmio Pulitzer 2004, quando o jornal Los Angeles Times se destacou como o mais premiado, arrebatando cinco prêmios. Dentre eles estão os prêmios pela cobertura dos dois incêndios no Sul da Califórnia e por um perfil da rede Wal-Mart. Na categoria Reportagem Internacional, o Washington Post foi premiado pela sua cobertura da guerra do Iraque e o The Dallas Morning News levou o prêmio de melhor fotografia, vinda também da mesma guerra. Contrastando com este aplauso à cobertura americana no Iraque, o trabalho realizado pelo The Blade, de Toledo, que denunciou a chacina de civis vietnamitas por soldados norte-americanos em 1967, foi recompensado com o prêmio de melhor reportagem investigativa.
Para saber mais das obras premiadas acesse: www.pulitzer.org
 


                      

criação e desenvolvimento: lisandro staut e siloé joão