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Jornalistas com barreiras

As coisas não andam muito boas para os jornalistas em Israel. Nas últimas semanas, as restrições para o exercício do jornalismo têm-se acentuado. Dia 20, uma equipe americana da rede CNN foi detida, interrogada e liberada no dia seguinte pela polícia israelense, acusada de tentar filmar o reator nuclear de Israel. A CNN justificou dizendo que os jornalistas apenas cruzaram por engano a área de segurança. Em Telavive, seis dias depois, a organização Jornalistas Sem Fronteiras exigiu do governo uma investigação da agressão sofrida pelo jornalista israelense, David ben Shitrit, por seguranças na porta do Ministério da Defesa do país. Ben Shitrit é conhecido por denunciar temas polêmicos em Israel. Quem tenta mostrar o que não deve, se dá mal.

Vítimas do sistema

Nos Estados Unidos a saga das fraudes continua. Depois da frustrada tentativa de Jayson Blair de transformar os seus delitos em best-seller, Jack Kelley, despedido do USA Today, também por plágio, reagiu mais sabiamente. Na quinta-feira, dia 22, Kelley pediu publicamente perdão pelos seus atos. No mesmo dia, o jornal publicou a razão das fraudes do jornalista. Os editores concluíram, surpreendentemente, que a culpa é da "cultura dominante na redação". Cultura de chefia descuidada, de falta de comunicação entre os funcionários, de estrelato, de clima de temor e normas incoerentes em relação à fontes. Enfim, o dedo não deve ser apontado só para os jornalistas.
 

Proteção nunca é de menos

Se não bastasse o perigo da fraude, o jornalista enfrenta também tanques e metralhadoras. Mais um jornalista foi morto no Iraque, pelo exército norte-americano. Segundo a TV Al Arabiya, As'ad Kathem pertencia à emissora Iraqiya Television - ironicamente fundada pelos Estados Unidos. Para as forças armadas estadunidenses não existe informação de tal morte. Levando em conta esse tipo de tragédia, e tantas outras que possam ocorrer numa guerra, várias associações de jornalistas credenciadas na ONU, sugeriram no dia 19, em Genebra, a criação de um emblema universal que ofereça proteção jurídica suplementar aos jornalistas em áreas de conflito. Segurança é o que mais se busca. Até para os profissionais que deveriam ser os mais protegidos e menos temidos por todos... Teoricamente, é claro. 

Tolerância social premiada

Na edição de 2003, os brasileiros se destacaram entre os finalistas do prêmio FIP de Jornalismo para a Tolerância, na América Latina. A entrega dos prêmios será em Cartagena, Colômbia, em 8 de maio. Mais 116 profissionais de 12 países latino-americanos concorrerão. O prêmio destaca mundialmente os profissionais que trabalham para promover a tolerância e o combate ao racismo e à discriminação social. Entre os finalistas estão Flávia Oliveira Fraga, pela reportagem do jornal carioca O Globo, “A cor do Brasil”, e Milena Schoeller e Alexandra Fiori pelo programa de rádio “Retratos de Exclusão”, na Bandeirantes. Os brasileiros se destacam nos prêmios sobre desigualdade econômica e social. São raros os países que exemplificam tão bem essa realidade.

Mais direitos… mesmo salário?

Já em Brasília, as discussões entre os representantes das empresas de comunicação e os jornalistas do Distrito Federal se prolongam sem chegar a nenhum consenso. 
A proposta do Sindicato dos Jornalistas (SJP/DF) para o reajuste salarial foi rejeitada pelo sindicato patronal e a contraproposta feita pelos empresários também. Já a discussão sobre a regulamentação do estágio nas redações foi aceita pelas empresas de comunicação e entraram em acordo com relação ao dispositivo da convenção coletiva, que trará às jornalistas grávidas a hipótese de ajustes nos horários de trabalho. Bom, poucos direitos os jornalistas têm… mas "recompensa" que é bom, nada.

              

Jornalismo poético

Para o enobrecimento da arte literária no Brasil, o jornalista José Fiori está entre os cinco finalistas do I Concurso de Poesia para Jornalistas, no Rio do Janeiro. O concurso destacou o paranaense, com a recém-lançada obra "Acontecências", reunindo textos ficcionais entre crônicas e contos. Fiori vem, com o seu trabalho, quebrar a distância entre informação e arte. E declara que todo o jornalista é, por natureza, um escritor e contista. "Nós fazemos todos os dias aquilo que muitos medalhões da literatura têm tempo de fazer pensando especificamente nas regras do mercado, comprometidos com seu público leitor, com editoras. O jornalista exercita isso o tempo todo", remata Fiori.

                      

Viva a conscientização ambiental!

Contrariando a tendência histórica brasileira, o Jornalismo Ambiental começa a encontrar o seu crescimento. Com a ajuda da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, criou-se o Grupo de Trabalho sobre Comunicação e Informação Ambiental, a partir de 31/03, reivindicado pela Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental (RBJA). Segundo o moderador Sul da rede, o jornalista Roberto Villar Belmonte, o grupo existe para que os processos de comunicação ambiental sejam valorizados e potencializados facilitando o acesso à informação, a produção da notícia e o aumento da qualidade da comunicação. “Sem informações ambientais qualificadas, a sociedade brasileira não poderá se conscientizar dos problemas ambientais e das suas soluções possíveis”, conclui Belmonte. Se realmente for possível colocar em prática a teoria, congratulações para esse novo trabalho.


                      

criação e desenvolvimento: lisandro staut