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Para caipira bem-informado

Loriza Ketlle

Quando se fala em jornalismo, pensa-se logo em grandes metrópoles, com agências de notícias e emissoras de TV armadas com equipamentos de última geração. As cidades do interior são pouco lembradas. Ainda persiste o paradigma de que a notícia chega em marcha lenta e o caipira está mais preocupado em fazer a colheita da última safra. É nesse contexto que está a região de Campinas, segundo maior pólo industrial e econômico da América Latina. 

Enquanto a capital do Estado possui grandes periódicos e as matrizes das principais emissoras de televisão, o jornalismo campineiro está apenas começando. Isso não quer dizer, leitor, que falamos de uma imprensa fraca. Pelo contrário, o Correio Popular, por exemplo, já ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo. 

Campinas tem quase um milhão de habitantes e representa 9% do PIB do Brasil. É nesse contexto que se insere a Rede Anhangüera de Comunicação (RAC), maior rede de comunicação na região, líder de um mercado de mais de cinco milhões de habitantes. É um império formado por oito empresas. São quatro jornais impressos, um portal, uma agência de notícias, uma gráfica e um centro de pesquisas. Com a missão de promover a disseminação de informações como meio essencial de integrar e servir a comunidade, a RAC abrange os dois principais jornais da região, o Correio Popular e o Diário do Povo. 

Segundo dados de pesquisa da Ipsos-Marplan 2003, o Correio Popular é o jornal líder de Campinas. Ele tem 72% dos leitores de jornais da cidade, o que equivale a 295 mil leitores fiéis ao jornal mais lido do interior paulista. O periódico faz mais sucesso entre as pessoas da classe B. Um dado interessante é que 22% dos leitores estão na faixa de 18 a 24 anos e a mesma porcentagem equivale para leitores de 45 a 64. Isto significa que o jornal atende ao público jovem e mais adulto ao mesmo tempo, em sua maioria homens. Eles equivalem a 52% do público do Correio

A mesma pesquisa revela O Diário do Povo como segundo na preferência caipira. Sua tiragem é de 15 mil exemplares e hoje ele conta com 106 mil leitores. Apesar de estar em segundo lugar como o jornal mais lido, o periódico é líder de vendas em bancas da região. Possui uma linha editorial dinâmica e combativa e seu público é essencialmente jovem, dos quais, 55% deles são homens. 

Os internautas paulistas também não foram esquecidos na RAC. O Cosmo Online é um portal dedicado exclusivamente para o interior do Estado de São Paulo. Com uma audiência média de 400 mil páginas vistas ao dia, o site oferece informações sobre lazer, negócios, cultura e economia. Salas de bate-papo, e-mail gratuito, ferramentas de busca e classificados também fazem parte do portal. Seu público está na faixa entre 10 e 24 anos e corresponde a 77% dos homens.

Assim como o portal Cosmo Online, a Agência Anhangüera de Notícias é uma agência idealizada para o interior paulista. É o maior grupo de multimídia de informação do interior e possui informações para a mídia impressa, fotos, reportagens e conteúdo por assunto e região. 

Projetos Sociais

Apesar de toda essa estrutura, o que mais chama atenção na RAC não são os jornais, portal ou agência de notícias. São os projetos sociais. O grupo possui os projetos Cidade Limpa, Projeto Cidadão, Diário Braille e Correio Escola.

O Cidade Limpa surgiu por iniciativa do Correio Popular e Unimed, com o objetivo de conscientizar toda a população para a importância da limpeza e conservação da cidade. Limpeza pública, higiene e saúde são priorizadas no projeto. É importante que o indivíduo reconheça que é parte integrante da comunidade, portanto, responsável por manter a cidade limpa. O Projeto Cidadão tem uma proposta que apóia e incentiva as ações sociais e contribui para a construção de uma sociedade melhor para todos.

O Diário Braille, como o próprio nome já diz, é um jornal voltado para os deficientes visuais. O periódico resume mensalmente as principais notícias do Brasil e do mundo veiculadas na mídia impressa brasileira. Além de privilegiar os deficientes visuais brasileiros, o Diário Braille também circula em Portugal, Espanha e França. Idealizado há dez anos pelo Correio Popular, o Correio Escola tem a missão de informar as pessoas e formar gerações. Seu objetivo de enriquecer o aprendizado em sala de aula, incentivar os professores a se atualizarem e despertar no aluno o prazer pela leitura.

Televisão e sigla

Mas não dá pra falar de jornalismo na região de Campinas sem falar em televisão. A cidade possui uma das principais afiliadas da Rede Globo - a EPTV. A emissora é a maior rede de televisão regional. Criada em 1979, a primeira das emissoras do grupo surgiu com o nome de TV Campinas. Seu fundador, José Bonifácio Coutinho Nogueira, foi o primeiro presidente da TV Cultura. Sua proposta era unir a liderança da Globo à audiência das emissoras regionais. Não era à toa que a família Marinho tinha parte da sociedade da empresa. No jornalismo regional criou-se uma dinâmica na programação e também se procurou dar apoio às diversas atividades regionais, tornando a programação local acessível junto à da Rede Globo.

A EPTV (Emissoras Pioneiras de Televisão) investe altamente para melhorar a qualidade do sinal e se manter atualizada em recursos técnicos e humanos. Essa dedicação é o resultado do crescimento do mercado da região e sua evolução.

A EPTV atua com a programação Rede Globo e atinge 292 municípios. Dentro de uma população de nove milhões de pessoas, suas imagens entram em quase dois milhões e meio de domicílios.

Outro jornalismo que recebe destaque na região é o de Mogi Mirim. A cidade tem quase 85 mil habitantes e é lá que está uma das principais afiliadas da CBN - a rádio que toca notícia. Na CBN é proibido tocar músicas por mais de quarenta segundos. A programação é voltada somente para informar o ouvinte a respeito dos assuntos mais relevantes. A rádio opera em AM e ainda é uma criança. Tem apenas três anos. Antes, o prefixo 610 AM era usado por uma emissora evangélica. A programação local acontece das 9 da manhã ao meio-dia, de segunda a sábado. Ela procura atuar de uma maneira mais abrangente em certos temas, incentivando o debate e abrindo as portas para a sociedade em geral. Apesar de seu quadro de funcionários não garantir a cobertura na região, a CBN tem uma forte participação de colaboradores e estagiários. 

Há um mês o esporte foi terceirizado na emissora. A iniciativa alavancou a audiência, apesar do público de Mogi Mirim não estar acostumado com uma emissora como a CBN, com informação 24 horas. A CBN tem a sua marca, seja no interior paulista ou na capital carioca.

Mogi Mirim conta também com a Rádio Transamérica AM. A emissora possui uma programação popular, voltada para os fatos que envolvem o cotidiano nas cidades. O programa Aqui Mogi, com Athayde Martins, veiculado durante as manhãs, é o campeão de audiência, trazendo reclamações e notas policiais. 

Veículo de grande credibilidade em Mogi Mirim, o jornal O Impacto incentiva o debate dos temas de interesse da sociedade em geral. O periódico existe há mais de 20 anos e nunca em sua história adotou uma bandeira partidária ou apoiou diretamente um governo. O Impacto é um jornal que procura dar crédito a todos os acontecimentos e evita o sensacionalismo. Sempre amplia o discurso e cria debates entre candidatos a prefeito em todas as eleições. Uma característica importante é que sempre apresenta os dois lados da notícia, não importando quem esteja envolvido. 

Existe, ainda, um espaço para o leitor opinar. O jornal procura sempre se atualizar e investe na qualidade do material levado às bancas. O Impacto atinge o público das classes A a C e, nos finais de semana, a tiragem chega a sete mil exemplares. A política e a informação de Mogi Mirim possibilitam uma cobertura jornalística mais focada na própria evolução da cidade.

Interessante mesmo é o jornal A Comarca. O jornal já tem mais de um século de existência. No seu auge, nas décadas de 70 e 80, ele chegou a circular diariamente. Hoje, a sua circulação se restringe ao resumo de todas as informações da semana. O maior atrativo do jornal é o Plantão Eletrônico, quando o jornal recebe reclamações sem que a pessoa se identifique.

                     

criação: lisandro staut