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Jogos
de Atenas
Vanessa
Candia
Os gregos são conhecidos por suas mitologias entrelaçando mortais e imortais. Com uma criatividade digna de pensadores e filósofos fizeram a história de um povo. Não somente isso, outras nações foram enfeitiçadas pelos seus surpreendentes mitos e por seus
deuses do Olimpo.
Entre tantas mitologias uma perdura até nossos dias, as Olimpíadas. Para explicar a origem da competição, milhares de histórias são contadas. Uma delas relata que o robusto e belo Hércules, filho do poderoso Zeus, prometeu limpar todos os estábulos do castelo do rei Augias. Como troca pelo trabalho o rei teria pagar um décimo do palácio.
Hércules, com sua força incomensurável, alterou os percursos de dois rios que rodeavam as terras de Elis para dentro dos estábulos. Depois de realizada sua tarefa, o rei não cumpriu o acordo. Então Hércules, furioso, guerreou com Augias. E após ter vencido saqueou a cidade de Elis. Mas para aplacar a ira de seu poderoso pai, Zeus, que com certeza não iria gostar da peraltice do filho, Hércules criou os jogos.
Mas muitas outras histórias são contadas. Histórias de amores impossíveis. Outros possíveis, mas indesejados. Crimes escondidos. Mortais vaidosos. O que parece é que as Olimpíadas vão muito além de uma competição
esportiva. É uma arena em que tudo está a prêmio.
O primeiro registro de uma Olimpíada - que tem esse nome devido à cidade de Olímpia, onde eram realizadas as maiores competições na
época - é de 776 a.C. Alguns reis escreveram em uma pedra no templo de Hera um acordo de paz em toda a Grécia durante os jogos. Tamanha importância da competição pode ser compreendida pelo calendário grego, que era contado por Olimpíadas, de quatro em quatro anos.
A competição era feita em um só dia, com a realização de uma corrida. O ganhador era congratulado com uma coroa feita de ramos de oliveira plantados por Hércules. Além disso, o vencedor
recebia o respeito da sociedade e alguns tinham sua alimentação garantida pelo resto de sua vida. Com o passar
do tempo outras modalidades como pentatlo - corrida de velocidade, arremesso de dardos e discos, salto em
distância e luta -, o pancrácio - um tipo de luta - e corrida de cavalos.
O espetáculo era permitido somente para os homens porque executavam a prova completamente nus. Para explicar esse fato um tanto curioso, conta-se uma lenda que um atleta perdeu suas roupas enquanto corria. Outros dizem que os gregos gostavam de exibir seus "templos de beleza fenomenal". Por isso as mulheres não podiam participar, pois não eram dignas de
presenciar a beleza e perfeição desses, podemos chamar, verdadeiros deuses gregos. Com o tempo, mulheres virgens podiam assistir. As casadas, jamais. Quando
as flagravam assistindo, eram jogadas do alto de uma rocha.
Mas o que era para ser uma festa de paz entre povos sofreu uma interrupção abrupta. Após a Grécia
ser dominada pelos romanos, o que importava era vencer, não interessava como. Até que, em 392 d.C, Teodósios I ordenou o massacre de sete mil gregos, o que causaria uma pausa nos jogos
gregos. Olímpia foi arrasada por um terremoto e seus estádios permaneceram no silêncio restando somente lembranças. Barão
de Coubertin
Somente quase mil e quinhentos anos depois seria realizada a primeira Olimpíada. Escavações feitas na região descobriram a cidade encoberta, e um apaixonado por esportes, o barão
francês Pierre de Coubertin idealizou uma versão contemporânea para os jogos. O principal objetivo do francês era fazer que com os
jogos a Europa renunciasse a uma guerra, assim como acontecia nos tempos gregos. Ele viajou pelo mundo mostrando seu
projeto e, em 6 de abril de 1896, ressurgiam as Olimpíadas com competidores de 13 países. Agora teria
início uns dos maiores e mais belos espetáculos da Terra. Antes de morrer, o barão criou o Comitê Olímpico Internacional,
do qual foi presidente por 29 anos. Quando morreu, teve seu coração enterrado em Olímpia.
Inicialmente, na mente de alguns pretensiosos gregos, as Olimpíadas seriam disputadas somente em Atenas. Mas o barão e o Comitê Olímpico
Internacional decidiram que todos os países teriam direito de sediar a competição. As Olimpíadas de Paris (1900)
foram marcadas pela desorganização e por situações inusitadas. Como por exemplo, um atleta
norte-americano de salto a distancia que ganhou a competição mesmo sem comparecer na final, por motivos religiosos. As
sedes
Já nos Jogos de Saint-Louis (1904) foi a primeira vez em que atletas negros participaram dos jogos. E outras novidades como o nado
crawl e o basquete. O primeiro caso de doping pelo americano Thomas Hicks. Em Londres (1908) foi a primeira vez que os atletas desfilaram numa singela abertura comparada aos padrões atuais. E foi em seu berço que o futebol foi agregado como modalidade olímpica.
Finalmente, em Estocolmo (1912), acabou toda a confusão que vinha acontecendo na competição.
Tem início a I Guerra Mundial (1914-1918) e interrompe por oito longos anos os jogos - que, ironicamente, tiveram como objetivos principais impedir uma guerra. Após o final da guerra, Antuérpia (1920) sediou a competição. Era a primeira vez que o Brasil participaria já embolsando medalhas de
ouro, prata e bronze na modalidade de tiro com pistola. Guilherme Paraense, Sebastião Wolf, Fernando
Soledade, Dario Barbosa e Afrânio da Costa foram os primeiros campeões olímpicos brasileiros.
E foram muitos os países que disputaram e sediaram os Jogos Olímpicos. Amsterdã
(1928), Los Angeles (1932) - onde foi criada a primeira Vila Olímpica -, Berlim (1936) e novamente... a
guerra. Desta vez, bem pior do que a primeira. O Comitê Olímpico já tinha escolhido Tóquio para sediar os
Jogos de 1940. Acabada a guerra, e o estado em que o Japão se encontrava, tiveram que transferir para Londres (1948). Foi nesse ano que o Brasil conquistou a primeira medalha de bronze no basquete. Um fato curioso dessa edição foi o ouro conquistado pelo húngaro Karoly Takacs na prova de
tiro de pistola. Ele ganhou atirando com a mão esquerda. O detalhe é que ele era destro, mas perdeu a mão direita com uma granada enquanto combatia na
Segunda Guerra.
Em 1952, a União Soviética entrou para a competição. Durante muitos
anos os russos não participaram dos jogos. A cidade escolhida foi a pequena
Hélsinque, que seria uma das menores cidades a sediar uma olimpíada. Mas essa foi a primeira vez em que a tocha olímpica não
pôde passar por um território, devido à proibição da União Soviética. Melbourne (1956), Roma (1960) e, finalmente, o Japão,
puderam sediar o evento.
Em 1964 as Olimpíadas foram realizadas em Tóquio. Fazendo jus ao conhecimento, os japoneses inventaram uma
máquina capaz de medir os centésimos e informar em pouco tempo o resultado das provas. O único problema era o tamanho: o mesmo que um caminhão.
A edição de 1968 foi marcada por protestos. Realizada na Cidade do México, era a primeira
olimpíada realizada num país de terceiro mundo. As pessoas fizeram passeatas pelas ruas em
protesto. O país enfrentava uma crise, muitas pessoas passavam fome, e elas reclamavam da alta quantia que foi utilizada para organizar os jogos. Resultado: no confronto com a polícia, cem mortos.
A bruxa continuou solta nas Olimpíadas de Munique (1972). Durante os jogos, terroristas palestinos mataram dois atletas israelenses dentro da Vila Olímpica e fizeram nove reféns, que também foram mortos. Devido ao fato, houve uma interrupção de quase dois dias na competição. Mas o COI decidiu prosseguir com os jogos. Em Montreal (1976) aconteceu um fato interessante. Algum apaixonado e saudosista resolveu reviver os velhos tempos em que os "deuses do
Olimpo" competiam nus. Ele entrou e dançou por alguns minutos durante a cerimônia de encerramento. E
salve o Brasil
Fim da seca em Moscou (1980). Finalmente o Brasil, após 24 anos sem nenhuma medalha, trouxe quatro medalhas: dois ouros e dois bronzes. Para marcar a saída do deserto, nas Olimpíadas de Los Angeles (1984) o Brasil conquistou oito medalhas.
As Olimpíadas se tornaram uma das mais lembradas. Talvez porque finalmente
Estados Unidos e União Soviética pararam com os boicotes que vinham fazendo. O mundo
pôde presenciar a disputa entre os dois países. A União Soviética foi quem mais conquistou medalhas. Os
Estados Unidos ficaram em terceiro lugar. Nos Jogos de Barcelona (1992) a organização do evento tentou inovar ao acender a pira olímpica. O arqueiro Antonio Rebollo atirou, mas errou o alvo. E, mesmo assim, a pira acendeu. Nessa edição o Brasil conquistou dois ouros: vôlei e judô.
Em Atlanta (1996) o Brasil conseguiu o maior número de medalhas. Trouxe, entre bronze, prata e ouro, quinze. Outro incidente marcou a disputa. Uma bomba matou duas pessoas e várias ficaram feridas. A última edição, realizada em Sidney,
na Austrália, teve alguns transtornos devido ao fuso horário. Muitos países não transmitiram as competições ao vivo - que passariam de madrugada, no caso.
As Olimpíadas de Atenas são mais que uma disputa, são uma comemoração. Primeiro, por estar sendo realizada em seu berço, a Grécia. Segundo,
porque somente o congraçamento entre os povos é capaz de fazer com que
aqueles que se encontram em conflito, como os Estados Unidos e o Iraque, convivam em paz. O barão de Coubertin conseguiu atingir seu objetivo. Mesmo que
por um curto espaço de tempo.
criação: lisandro staut
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