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Amistosa rivalidade

Neanis Lutzer

Simples. São dois extremos que se completam andando paralelamente. É como se fossem linhas paralelas caminhando na mesma direção. Cada um tem seu caminho a cumprir, mas o objetivo é o mesmo: apresentar ao público suas idéias, conceitos da sociedade e críticas. 

Talvez seja até imaturidade do jornalismo e da publicidade debaterem a respeito, quando cada um tem sua opinião e nenhum tem razão sobre o outro. Ambos têm uma linha de raciocínio diferente. No entanto, não é tão simples assim como comentado no início. As complicações começam a surgir, a partir do momento em que eles resolvem trabalhar juntos. 

Bem, se há essa discussão, é porque se viu a necessidade de uma junção no trabalho. Por algum motivo, os dois precisaram se unir. A publicidade tem um papel importante na sociedade. Traz ao público uma idéia do que aquela situação representa, para qual fim determinado produto pode ser usado, como encontrar o que necessita - e até o que não necessita.

A história entre esse casamento vem desde do século XIX, em 1821. O primeiro jornal de anúncios foi o Diário do Rio de Janeiro. O jornal era mantido pelos anúncios e não pela quantidade de assinantes. Eram publicidades com textos longos e pouquíssima figuras. O rádio também teve sua parcela de "culpa" na junção entre ambas profissões. 

Em 1931, o governo federal disponibilizou para as empresas privadas, emissoras de rádios. Essas empresas, visando a manutenção das rádios e o lucro, procuravam as agências que, visando esse novo mercado, passaram a produzir jingles e spots. Alguns programas eram inteiramente produzidos por grandes empresas, como era o caso do Repórter Esso

Mas antes disso, o primeiro anúncio foi em 1808 na Gazeta do Rio de Janeiro. Era assim: "Quem quiser comprar uma morada de casas de sobrado com frente para Santa Rita, fale com Joaquina da Silva, que mora nas mesmas casas...". Bem coloquial. Mas condizia bem com o veículo. Com o surgimento da primeira revista brasileira A semana, a publicidade estava entrando para um mercado que nunca mais sairia. 

Desconhecido conhecido

Tanto jornalismo, quanto publicidade tornam o desconhecido algo conhecido. Seu grande papel social diz respeito à facilidade de chegar a lugares em que até o carteiro se perde. É importante ressaltar que, na maioria dos casos, que a profissão deve ter um compromisso com a verdade. Da mesma maneira que a publicidade, o jornalismo enfrenta problemas de interpretação sociológica. É certo que as notícias estão se tornando cada vez mais sensacionalistas, mas algumas publicidades também. 

Na maioria das vezes, - leia-se sempre - os dois profissionais precisam trabalhar juntos. Uma idéia aqui, uma pincelada ali, talvez esse texto seja melhor, ou então, aquela palavra pode mudar o sentido da frase, enfim, discutem qual é o melhor dia para se colocar tal idéia para aquele público, até, qual cor fica melhor em tal página. 

Mesmo sabendo dessa "íntima relação", muitos jornalistas se recusam a aceitar a idéia que o que paga o salário deles, é a publicidade. Segundo a professora Jurema Brasil, mestre em Comunicação pela ECA-USP, "a propaganda é responsável pelo sustento de boa parte da mídia e é inseparável do setor de negócios e de produção". Do mesmo modo, os publicitários precisam de mídias como revistas e jornais para publicarem seus anúncios.

Jornalista e publicitários pode viver em plena pacificidade. Basta, como em qualquer relação, um respeitar a liberdade, e o espaço, do outro. Se ambas profissões fossem isoladas, o que seria da divulgação das revistas e jornais? E dos textos publicitários? As duas precisam uma da outra. Cada uma tem um caminho a cumprir, mas o objetivo é o mesmo: apresentar ao público idéias, conceitos e críticas.