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As "donas da casa"

Darley Melo

Miriam Leitão, colunista econômica do Diário de Pernambuco À medida que o tempo passa, as mulheres conquistam mais espaço no mercado jornalístico, até mesmo numa das áreas mais importantes, a economia. Antes ocupada somente por homens, várias mulheres mostram que estão na liderança, como "donas da casa", apesar do preconceito patriarcalista ainda resistente.

A economia abriga mulheres cuja competência se destaca desde o início dos anos 80. Foi nessa época que a mulher começou a ter abertura no jornalismo econômico.

Muitas mulheres, quando entraram na profissão, não escolheram a economia; foram escolhidas por ela. Entre 1968 e 1988, o Brasil sofreu constantes oscilações na economia, desde o chamado "milagre econômico" até os altos índices de inflação da década perdida. A partir daí, o jornalismo econômico começou a ter maior espaço, principalmente pelos grandes jornais de São Paulo e Rio de Janeiro.

Nesse período surgiram importantes nomes, como o de Sônia Rezende, na época editora de Economia do jornal O Globo, e Cristina Calmon, que ocupava o mesmo cargo no Jornal do Brasil. Pode-se afirmar que elas abriram espaço para as posteriores.

Hoje, grande parte das mulheres já opta por esta área. Afinal, política e economia são os blocos que mais crescem no jornalismo. "A economia passou a fazer parte do cotidiano das pessoas, depois de tantos planos econômicos e crises. Todo mundo quer entender, até para se prevenir de situações difíceis", analisa Sônia Rezende, em entrevista à Revista de Comunicação.

No jornal impresso, destacam-se nomes como o de Tereza Carom, no jornal Estado de Minas, e Denise Maria Neumann, colunista do setor econômico da página feminina do jornal O Estado de S. Paulo. Dora Kramer, colunista da Folha de S. Paulo e da Zero Hora, também se divide entre política e economia.

Lúcia Guimarães, editora do caderno de Economia & Negócios do Diário de Pernambuco Também presentes na rede, várias mulheres estão à frente, liderando editorias de economia nos jornais online, e também em outras editorias importantes além da que está em questão.

Nota-se que o campo é infinito, e que as mulheres estão nos cadernos econômicos da maioria dos veículos de comunicação, se não em todos. Outros nomes também devem ser evidenciados, como Regina Pitoscia, colunista no Jornal do Commercio online (Recife), Márcia Arbache, Daniele Carvalho e Carolina Quintella, responsáveis pela editoria no JB Online. 

Em Pernambuco, a editoria de Economia e Imóveis do Diário de Pernambuco é assinada por Cláudia Santos, Leianne Correia e Lúcia Guimarães. No mesmo veículo, Miriam Leitão é colunista econômica.

Em uma edição especial do Estadão sobre imposto de renda, nota-se os nomes de sete mulheres que organizaram esta edição: Regina Pitoscia, Rosangela Dolis, Rosangela Santiago, Andrea Botelho, Cássia Carolinda e na produção Ana Célia Mota.

Assim, é evidente que, felizmente, as mulheres ocupam o lugar que já era delas. Não poderia ser de outra maneira; elas venceram também por razões muito mais que profissionais. 

Lavar, passar, cozinhar, pegar as crianças na escola, administrar o salário para as compras, o lazer, as economias, enfim, cuidar de uma casa, assim as mulheres foram educadas. Dessa forma, encaixaram-se perfeitamente à economia. A competência vem da natureza, pois a mulher tem uma percepção mais aguçada, é detalhista e tem grande capacidade de organização das suas tarefas. Esta pode ser a origem do seu sucesso.

                  


criação: lisandro staut