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Mulher, mais que uma imagem estática
Sergio Telles
Mulheres, bonitas, bem vestidas, corpo escultural, inteligente e com muito dinheiro. Podemos dizer que desde cedo a mulher é educada para ser um objeto de desejo do homem. Para tanto, seu visual é o ponto-chave em sua identidade. Há quem diga que a mulher perfeita - segundo padrões ainda vigentes - é uma mulher como a Branca de Neve e a Bela Adormecida. Salvas por príncipes que andam pelo mundo afora.
Em nossa sociedade, em que tudo gira em torno do consumo (o que é privilégio de poucos), os serviços oferecidos geram um lucro
descomunal para quem explora este serviço de venda de imagem e/ou produto. A partir do momento em que a publicidade entra em jogo, o cidadão se torna um mero consumidor, movido pelos olhos do consumismo e seduzido pelo mundo perfeito pintado pela publicidade. Quanto mais emoção incutida nas imagens, mais vulneráveis nos tornamos aos apelos consumistas.
A mulher é atingida em dois aspectos. O primeiro aspecto é em relação ao poder de decisão e compra, que, no decorrer dos anos, deixou de ser apenas a de opinar no cardápio do almoço e passou a ter espaço no mercado de trabalho; conseqüentemente, o sexo feminino passou a consumir muito mais do que simples panelas e panos de prato. Quando vemos uma propaganda vendendo um sabonete ou um xampu, podemos ver claramente que junto a esta imagem está a chance da mulher estar na mesma posição que uma atriz famosa e supostamente perfeita.
O segundo aspecto em que a mulher é atingida é da maneira que os homens fazem da mulher um objeto do desejo, um produto a mais. Você sabe do que estou falando.
Playboy, Sexy, Vip e Trip são apenas algumas das revistas masculinas de alto-escalão que vendem a imagem da mulher única e exclusivamente pela imagem. Assim como um carro
impressiona por sua aparência, quanto maiores os atributos físicos da modelo de capa, mais a revista vende.
Em veículos assim, a mulher é como um produto. A cada página virada, dezenas e dezenas de mulheres estão expostas, distribuídas muitas vezes por idade, cor e etnia. Na corrida pela fama e reconhecimento, muitas são tratadas como meras imagens, simples fotos que não têm sentimento, não expressam nada. Apenas a foto estampada, em posições que se sabe lá como conseguiram chegar.
Onde está a mulher com seus valores morais? Qual é seu potencial na
conquista de espaço? Na corrida desenfreada pelo dinheiro e pelo "reconhecimento", muitas se sujeitam a serem objetos de desejo em troca de alguns pedaços de papel que a sociedade idolatra. A cultura da
glamourização move as lucrativas indústrias de cosméticos, publicações, esportes e academias de ginástica. Sua isca é a mulher, reduzida à aparência e destituída de direitos, essência, subjetividade, idéias e valores.
Dócil aos caprichos da publicidade, o corpo vai a leilão na feira de amostras das revistas masculinas e também nos sites em que, se pagando uma mixaria,
tem-se acesso às mais belas mulheres da rede e, ao mesmo tempo, às mais solitárias.
Enquanto a mulher aceitar esse jogo de marketing, movida pela obsessão, será difícil cegar os olhos do machismo, tanto em relação ao homem que a submete, quanto em relação à mulher que aceita ser submetida e, portanto, humilhada.
A exposição erótica da mulher é uma notória humilhação do feminino, pois torna a beleza, resultado da soma de atributos físicos exacerbados pela protuberância das formas e os ditames da moda. Enquanto nada é feito para mudar a aparência da mulher nas revistas masculinas e - por que não? - nas próprias revistas femininas, fica aqui o protesto ao uso da imagem da mulher para vender, ou mesmo a imagem vendida da mulher. A coerência de sua história de vida é o único meio de reconhecimento da mulher.

criação: lisandro staut |
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