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Literatura
cor-de-rosa
Jeane Barboza
Sabrina, Bianca e
Júlia são alguns dos romance-novelas de banca de jornal. Eles envolvem não só os corações de adolescentes em "efervescência hormonal"; seu público é bastante diversificado, sendo que 80% das leitoras são mulheres de todas as faixas etárias, com nível educacional variado, de donas-de-casa a profissionais liberais. Elas se concentram, em sua maioria, nas classes B e C entre mulheres solteiras - embora algumas casadas ainda mantenham sonhos acalentados durante a solteirice.
Essa espécie de literatura foi encarada como "religiosa" para várias gerações de mulheres que, como as personagens, compartilhavam as mais diversas experiências. Ora era um bárbaro que raptava a heroína e, depois de muita humilhação e maus tratos conquistava o seu amor; ora, era a versão de um galã de bom coração - alto, louro e bronzeado - que lhe apertava entre os braços e a fazia sentir cada nervo do corpo como se estivesse em chamas.
Esse trio é uma série publicada pela editora Nova Cultural, que há mais de 20 anos incendeia a imaginação de mães, filhas e avós, usando o enredo de esperança do amor ideal. Descrições de cada fantasia é o que faz com que esses livrinhos ordinários sejam um sucesso de venda.
"As 'revistinhas' Sabrina, Júlia, Bianca e afins lideram o mercado com vendas anuais que chegam ao patamar de três milhões de exemplares. Apenas a título de comparação, para se ter idéia do montante destes números, um dos escritores brasileiros mais bem-sucedidos da atualidade, Luiz Fernando Veríssimo, vende um milhão de exemplares/ano", lamenta Carla Giffoni, em artigo para a
Tribuna da Imprensa Online (24/3/03).
A busca pela fantasia é o gancho de venda. A começar pelas capas que mostram casais em poses românticas e carinhosas aparentando ter de 20 a 30 anos. A capa tem sempre as mesmas características românticas e sensuais. No desenrolar das histórias, nota-se que a mulher geralmente é um modelo de beleza pelos padrões impostos hoje em dia.
"Os homens, verdadeiros deuses gregos. Se os protagonistas não são tão belos, há neles um magnetismo e uma sensualidade latente. As mulheres são normalmente americanas, entre 20 e 30 anos - fazendo com que o público-alvo se correlacione. Já entre os homens, há uma maior tendência de serem de outras nacionalidades", informa Carla, no mesmo artigo.
Esta literatura retrata locais e personagens tendo como pano de fundo o enredo ideal não condizente com a realidade de um casal brasileiro. Desta forma, é incompreensível o motivo que leva tantas mulheres a consumir esse folhetim.
O professor de Comunicação Social da Faculdade Estácio de Sá, o sociólogo Giovani Batista, explica que "existe um universo feminino que não depende de faixa etária ou posição social. Toda mulher quer ser feliz e isso supera as diferenças étnicas. Essas revistas servem para canalizar as emoções. O modelo de vida americano é aquele do mundo positivo, a casa boa, o homem bonito, a segurança de um emprego, filhos saudáveis e educados... Mesmo com uma relação estável, de anos de casamento com um parceiro, a mulher não perde a sexualidade". (Citado no texto de Carla.)
O fato é que, mesmo sendo dinâmicas em seu dia-a-dia, as mulheres aprisionam a alma de personagem de contos épicos. Talvez sejam as leitoras sejam as mesmas que se dignam a assistir
Maria do Bairro e afins.


criação: lisandro staut |
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