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O Brasil em um jornal
Isadora Schmitt
Não dá para falar sobre a história da imprensa brasileira sem citar o Jornal do
Brasil. Presente na mídia impressa brasileira há mais de cem anos, o veículo cobriu e retratou momentos marcantes do desenvolvimento da nação. Brasileiro até no nome, o jornal é tradição não só pelo tempo que está em circulação, mas pelas transformações que proporcionou ao longo dos anos.
O JB - como é mais conhecido - nasceu em 1891 já com uma característica polêmica: defendia idéias monarquistas em meio a uma República recém-instalada. Além do debate político, o
Jornal do Brasil também se preocupava com problemas da cidade e do cotidiano. Foi um dos veículos precursores a encarar o jornalismo como empresa.
Figuras ilustres já passaram pelo impresso. José Veríssimo, com a crítica literária, Constâncio Alves, colunista dominical, e Ulisses Vianna, diretor de redação em 1892, são alguns nomes da fase pioneira. Nesse período, o
JB apresentava notória ideologia jacobinista. Passou.
Falecido recentemente, o jornalista Manoel Francisco do Nascimento Brito, diretor-presidente do Grupo Jornal do
Brasil, foi um dos grandes reformadores do veículo, já na segunda metade do século passado.
Alberto Dines, editor-chefe do polêmico Observatório da Imprensa, chefiou por 12 anos a redação do
JB (1961-1973) e esteve presente em momentos históricos. Durante o período da decretação do AI-5, Dines publicou críticas camufladas repletas de ironia.
Em 1973, o golpe contra o presidente Salvador Allende e a ditadura instalada por Augusto Pinochet, foram exemplos de uma grande sacada de Dines. Avisado pela censura que não poderia usar fotografias e nem manchetes para divulgar os acontecimentos, Dines publicou em letras pequenas a primeira página inteira sobre o assunto. A repercussão foi maior do que se fosse publicado em letras garrafais, pois a edição foi considerada uma das mais subversivas da história do jornalismo brasileiro.
A censura, aliás, permeou a história do JB. Uma delas ocorreu durante a revolução de 1930: a redação foi invadida e o jornal ficou uma semana sem circular. Só voltou ao normal quando o então diretor de redação, Aníbal Freire, foi substituído por Brício Filho. Coisas de Getúlio Vargas.
Mario Sergio Conti, o autor de Notícias do Planalto, é hoje o diretor de redação do
JB. A relação entre a imprensa e o ex-presidente Fernando Collor - tema abordado em seu livro - também cita a participação do
Jornal do Brasil dentro deste contexto histórico. Em 1990, o impresso vivia uma das suas piores crises. Mesmo sendo respeitado pela sua linha editorial, o jornal passava por uma crise crescente. Os problemas econômicos eram tão grandes, que Nascimento Brito chegou a negociar a venda do jornal para Paulo César Farias.
Muitas histórias sobre o JB poderiam ser contadas. Como veículo mais que centenário, diversas coberturas e diversos momentos históricos poderiam ser lembrados. Como todo veículo de comunicação, ele também apresenta problemas e carece sempre de aperfeiçoamento e atualização. O que é incontestável é a sua importância dentro da história do Brasil.


criação: lisandro staut |
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